Paraguai diz que não há prazo para terminar negociações sobre Itaipu

Assunção, 18 set (EFE).- O chanceler do Paraguai, Alejandro Hamed, disse hoje que não há um prazo para encerrar as negociações com o Brasil sobre a eventual modificação do tratado de construção da hidroelétrica Itaipu, compartilhada pelos dois países.

EFE |

Hamed concedeu nesta quinta uma entrevista coletiva em Assunção na qual deu detalhes sobre a reunião que foi realizada na última quarta em Brasília pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega do Paraguai, Fernando Lugo.

Entre as resoluções adotadas pelos dois líderes nesta ocasião está a designação de uma mesa de diálogo formada por representantes dos dois países que se encarregarão de discutir as reivindicações do Paraguai de renegociar o contrato que regula a exploração conjunta da usina.

"Não há prazo (para a negociação). Na medida em que trabalhem intensamente e se possam debater e solucionar os problemas, em boa hora", afirmou Hamed, que também se reuniu em Brasília com ministro Celso Amorim.

No entanto, as autoridades brasileiras deixaram entrever na véspera que não cederão na revisão deste documento, ao argumentarem que este assunto só pode ser discutido a partir de 2023, ano do vencimento do mesmo.

"Não diria que houve nenhuma mudança sobre uma possível revisão do Tratado de Itaipu", afirmou Amorim após o encontro.

Neste sentido, Hamed disse que "esta é a opinião do chanceler.

Caso ele (Amorim) tenha dito isto, não sei em que momento fez, pois na conferência comum que tivemos não se falou nestes termos".

O chanceler paraguaio também afirmou que na mesa designada pelos presidentes do Brasil e Paraguai "está tudo para ser tratado, tudo para ser discutido".

Por outro lado, Hamed disse que desconhece as declarações de Lugo reproduzidas hoje pelo jornal francês "Le Monde", nas quais o líder não descarta a possibilidade de recorrer a tribunais internacionais para conseguir a revisão do tratado da hidroelétrica.

"Não escutei as declarações do presidente Lugo sobre o assunto e não está em sua mente, de forma alguma, esta possibilidade", acrescentou.

Segundo o Tratado de Itaipu, assinado em 1973 e que regula tudo o que é relacionado à represa, Brasil e Paraguai têm direito cada um a 50% da eletricidade gerada e a energia não usada deve ser vendida para o outro parceiro, a um preço fixo, de custo.

O Paraguai satisfaz 90% de sua demanda com 5% desta energia e o resto acaba no Brasil, que paga por ela cerca de US$ 300 milhões por ano.

Lugo afirma que este preço deve ser revisado e aumentará até cerca de US$ 2 bilhões, além de uma co-gestão paritária no controle da usina e da possibilidade de que o Paraguai negocie com outros países seu excedente de energia. EFE rg/fal

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