Para Wall Street, Brasil não deve relaxar após grau de investimento

O Brasil precisa tirar proveito do título de grau de investimento concedido pela agência de riscos Standard & Poors, mas não pode relaxar no que diz respeito a reduzir sua dívida interna, afirmaram representantes do mercado financeiro ouvidos pela BBC Brasil. Ao adquirir a nota investment grade - dada pela agência a países considerados pouco propícios à inadimplência -, o Brasil passa a ser capaz de atrair grandes fundos de investimento internacionais que, por conta das regras de suas instituições, só podem investir em países julgados de baixo risco.

BBC Brasil |

Para Nilson Strazzi, diretor de mercados emergentes do banco Barclays Capital, a avaliação da S&P é algo ''superpositivo'', porque ''abre as portas do Brasil para uma série de novos investimentos'' e ''dá uma solidez maior à balança de pagamentos''.

Mas Strazzi afirma que o Brasil deve aproveitar agora para ''tirar vantagem de sua credibilidade'' e procurar reduzir a carga representada por sua dívida.

''Em relação ao PIB, a dívida interna não está numa porcentagem muito elevada, está abaixo de 50%, mas o problema é que as taxas de juros são muito elevadas", diz Strazzi.

"Então, é preciso aproveitar esse 'investiment grade' para alongar essa dívida, aumentar a duração da dívida interna para um longo prazo.''
Vulnerabilidades
Felipe Illanes, economista-chefe para a América Latina do banco Merrill Lynch, afirma que a avaliação da agência de risco ''não reflete nada de novo, mas reflete uma coisa boa: o resultado de anos administrando uma política econômica adequada''.

''Mas isso não quer dizer que se pode relaxar, porque o contexto externo é difícil. É preciso seguir reduzindo as vulnerabilidades'', diz Illanes.

Entre elas, o economista cita a dívida pública do país. ''Quando você compara o Brasil com outros países na categoria BBB- (o primeiro nível da categoria grau de investimento), um fator diferenciador é que a dívida pública do Brasil continua sendo muito alta.''
Illanes afirma que o Brasil também precisa amenizar a sua pesada carga tributária, a fim de atrair mais investimentos.

''É preciso reduzir a carga tributária e sua estrutura não muito eficiente. Mas essa redução da carga tributária é difícil de ser feita se o gasto corrente do governo continua elevado da maneira em que está", diz.

A Standard & Poor's advertiu que o Brasil deveria buscar uma redução mais significativa de sua dívida pública e um maior equilíbrio de sua balança fiscal.

''Políticas capazes de reduzir o nível e a rigidez dos atuais gastos governamentais fortaleceriam a situação fiscal do Brasil e facilitariam um declínio dos juros reais, com implicações positivas para o crescimento e um maior declínio do fardo representado pela dívida'', afirma a analista da S&P Lisa Schineller.

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