Para superar tsunami, Tóquio se candidata às Olimpíadas de 2020

Após tragédia, Japão prevê gastos com reconstrução de 152 bilhões de dólares em cinco anos

AFP e Reuters |

Tóquio apresentou neste sábado a sua candidatura para organizar os Jogos Olímpicos de 2020 com o objetivo de acelerar a reconstrução do Japão após o terremoto seguido de tsunami e o acidente nuclear que devastaram o país em março. "Queremos fazer dos Jogos de 2020 o símbolo de nossa recuperação", disse o presidente do Comitê Olímpico japonês, Tsunekazu Takeda, ao anunciar a candidatura da capital do país, na presença do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge.

Candidata derrotada aos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro, a cidade espera arrebatar corações e mentes para organizar pela segunda vez o Jogos de Verão, depois dos realizados em 1964. Além disso, o Japão organizou em duas oportunidades os Jogos Olímpicos de Inverno, em Sapporo-1972 e em Nagano-1998.

Neste sábado, o presidente do COI disse que está seguro de que o Japão "superará esta terrível crise, como já fez no passado" durante uma cerimônia na qual foram comemorados os 100 anos da criação do Comitê Olímpico Japonês. Rogge explicou que o movimento olímpico quer utilizar "o poder criativo do esporte para ajudar aqueles que estão reconstruindo seu território". Embora tenha evitado se pronunciar sobre as possibilidades do Japão, Rogge considerou esta candidatura "uma notícia excelente".

Durante o processo de seleção da sede das Olimpíadas de 2016, que terminou com a escolha do Rio, Tóquio havia apresentado uma candidatura "ecológica", prometendo uma cidade com milhões de árvores e Jogos sem emissões de CO2. Madri, que foi candidata para 2012 e 2016, e Roma já anunciaram oficialmente suas candidaturas para 2020, enquanto que Istambul e Doha também podem ser candidatas. As cidades que desejarem ser a sede das Olimpíadas de 2020 têm até 1º de setembro para se apresentarem. A cidade-sede será escolhida pelo COI em Buenos Aires, no mês de setembro de 2013.

Reconstrução

O esboço do plano de reconstrução do Japão pós-terremoto prevê que custos de até 152 bilhões de dólares em cinco anos, segundo publico o diário Asahi neste sábado. O esboço também pede o desenvolvimento de energia solar e eoólica, já que as tentativas de controlar a usina de Fukushima, abalada pelo terremoto, geraram desgosto público e levaram as autoridades a considerarem alternativas.

O governo planeja compilar o esquema de reconstrução até o fim do mês. "(O esboço) estima os custos de recuperação para os próximos cinco anos em 10 a 12 trilhões de ienes (126 a 152 bilhões de dólares)", disse o Asahi. "Aumentos de impostos específicos para o financiamento da reconstrução não estão no esquema, adiando o debate para agosto ou depois."

O Japão foi sacudido no dia 11 de março por um terremoto de magnitude 9 e por um tsunami gigante que devastaram o nordeste do país e deixaram cerca de 21.000 mortos. A catástrofe provocou também um acidente nuclear na central de Fukushima Daiichi (situada 220 quilômetros a nordeste de Tóquio), o pior desde o de Chernobyl (Ucrânia) em 1986, levando à evacuação de 80.000 pessoas e causando uma contaminação radioativa na região. Além da região nordeste ter sido afetada pela série de catástrofes, todo o país sofreu as consequências econômicas e sociais da tragédia.

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