Para R. Unido, crise no Zimbábue afeta países vizinhos

Pretória, 8 jul (EFE).- O ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, afirmou hoje que a crise política do Zimbábue transcende as fronteiras do país e afeta todo o sul da África.

EFE |

"Acho que há um amplo reconhecimento da natureza regional da crise no Zimbábue e do papel-chave que cabe a esta região e também à comunidade internacional para resolver a situação o mais rápido possível", disse Miliband em entrevista coletiva, depois de se reunir em Pretória com sua colega sul-africana, Nkosazana Dlamini-Zuma.

Miliband está na capital sul-africana, onde participa da 8ª reunião do Fórum Bilateral África do Sul/Grã-Bretanha e a situação no vizinho Zimbábue dominou boa parte das sessões de trabalho das duas delegações.

O chefe da diplomacia britânica especificou que a participação da África do Sul é essencial na resolução da crise.

"Se a casa de seu vizinho está queimando, a sua é a próxima. Esta é uma crise que o Governo da África do Sul sabe que está à sua porta", disse Miliband.

Ele acrescentou que o Reino Unido aguarda agora a participação da África do Sul nas discussões de acompanhamento da crise do Zimbábue nas Nações Unidas, cujo Conselho de Segurança condenou a violência política registrada no país.

A Grã-Bretanha, os membros da União Européia (UE) e os Estados Unidos pediram para que a ONU aplicasse sanções individuais contra os membros do regime do presidente Robert Mugabe, mas a iniciativa sofreu oposição da Rússia, China e África do Sul no Conselho de Segurança.

"Acho que qualquer resolução tem que ser global a fim de refletir a natureza internacional da ONU, com sua capacidade exclusiva de falar em nome de todo o mundo", disse Miliband.

Por sua vez, Dlamini-Zuma respondeu tangencialmente à pergunta dos jornalistas sobre se a África do Sul poderia apoiar a eventual aplicação de sanções da ONU contra o Governo do Zimbábue.

"Nossos líderes se encontram na reunião do G8. Tiveram suas discussões e todos eles expressaram suas dúvidas acerca das sanções", disse a ministra sul-africana em referência aos governantes africanos convidados à Cúpula que reúne em Toyako (Japão) os líderes das oito nações mais ricas do mundo.

Dlamini-Zuma também evitou responder quando perguntada se o Governo sul-africano reconhece Mugabe como o legítimo presidente eleito do Zimbábue e reiterou a posição de Pretória de que "os próprios zimbabuanos devem ser os encarregados de resolver a crise em seu país".

"A resolução da crise no Zimbábue necessita de todos os zimbabuanos trabalhando juntos para tirar o país da situação em que se encontra", disse Dlamini-Zuma, que ressaltou que para a África do Sul o seu vizinho do norte necessita de "um Governo que inclua a todos" para solucionar seus problemas. EFE jm/ab/plc

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