Para Putin, todos os pactos com nazistas eram moralmente inaceitáveis

Todos os pactos concluídos entre os países europeus e a Alemanha nazista entre entre 1934 e 1939 eram moralmente inaceitáveis, incluindo o acordo alcançado entre a União Soviética e os nazistas em 1939, afirmou nesta terça-feira o primeiro-ministro russo Vladimir Putin.

AFP |

"Todos as tentativas para apaziguar os nazistas entre 1934 e 1939 mediante diversos acordos e pactos eram moralmente inaceitáveis, e politicamente absurdos, danosos e perigosos", declarou Putin em Gdansk, norte da Polônia, na celebração dos 70 anos da invasão desse país pelos nazistas.

"Devemos admitir esses erros. Nosso país o fez. O parlamento russo condenou o Pacto Molotov-Ribbentrop, de 1939", acrescentou Putin.

"Temos o direito de esperar o mesmo de outros países que também fecharam acordos com os nazistas", afirmou ainda.

Putin parecia se referir aos acordos como o de 1938 em Munique, no qual a Grã-Bretanha e a França asseguraram à Alemanha nazista que não se oporiam à anexação de regiões tchecoslovacas.

Putin também rebateu as críticas que, sobretudo na Polônia, atribuem ao pacto Molotov-Ribbentrop a responsabilidade do início da Segunda Guerra Mundial.

"Vemos tentativas persistentes de sugerir que o desencadeamento da Segunda Guerra Mundial foi possível exclusivamente pelo pacto Molotov-Ribbentrop", declarou Putin em uma entrevista coletiva conjunta com o colega polonês, Donald Tusk.

"Por que difundir esta falsa tese na opinião pública e especular sobre ela na política interna? É a pior coisa que poderíamos fazer", disse.

"Tudo o que levou à tragédia de 1º de setembro de 1939 deve ser estudado para que nunca mais se repita".

"O pacto germano-soviético foi o último de uma série de documentos, em um momento em que todo o mundo havia cometido erros", disse.

Putin citou outros acordos que para ele propiciaram o conflito, entre eles o tratado de Munique.

O Pacto Molotov-Ribbentrop, assinado em 23 de agosto de 1939, foi um acordo de não agressão entre a Alemanha de Adolf Hitler e a União Soviética de Stalin, no qual ambos regimes concordaram secretamente, além disso, em repartir entre si a Polônia.

Em 1o. de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia, um momento considerado como o início da Segunda Guerra Mundial. Dias depois, em 17 de setembro, a URSS também invadiu a Polônia.

Em um artigo publicado Na segunda-feira no jornal polonês Gazeta Wyborcza, Putin condenou o pacto Alemanha-URSS, mas destacou que a União Soviética de Stalin não tinha outra alternativa, sem fazer referência à invasão da Polônia pelo Exército russo em 17 de setembro de 1939.

O primeiro-ministro russo desembarcou em Gdansk para as cerimônias do 70º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial, ao lado de outros chefes de Governo, incluindo a alemã Angela Merkel, o italiano Silvio Berlusconi e o francês François Fillon.

Por outro lado, a Rússia tornou públicos nesta terça-feira arquivos que acusam a Polônia de ter subestimado a ameaça nazista antes da Segunda Guerra Mundial.

O general Lev Sotskov, dos serviços de informação externa (SVR), apresentou à imprensa documentos liberados sobre os "Segredos da política da Polônia em 1939-1945".

Segundo estes documentos, os dirigentes poloneses de então fizeram todo o possível para isolar a União Soviética, subestimando o regime nazista, de acordo com o general, que também acusou a diplomacia polonesa de então de instigar revoltas entre os povos da União Soviética para desunir a URSS.

Estes comentários provocaram uma reação irada dos jornalistas poloneses, que acusaram o general russo de prejudicar as relações russo-polonesas e manifestaram suas dúvidas sobre a autenticidade dos documentos apresentados.

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