Para Parlatino, postura da UE torna latino-americanos vulneráveis

Madri, 13 jul (EFE).- A postura da Europa em relação aos imigrantes deixa os latino-americanos em situação de vulnerabilidade muito alta, disse hoje à Agência Efe em Madri o presidente do Parlamento Latino-americano (Parlatino), Jorge Pizarro.

EFE |

Pizarro fez a declaração na véspera da reunião na qual representantes do Parlatino e do Parlamento Europeu analisarão, em Madri, a diretiva sobre imigração aprovada em junho pela União Européia (UE) e que estabelece que os "imigrantes ilegais" podem permanecer detidos por um período máximo de 18 meses enquanto se tramita sua repatriação.

O presidente do Parlatino disse, em uma conversa telefônica com a Efe, que sua instituição irá propor em Madri um diálogo a nível político que permita, "se não flexibilizar a norma, trazer clareza sobre sua aplicação para que se possa fazer uma distinção com a comunidade ibero-americana que vive na Europa".

Pizarro estará acompanhado na reunião pela presidente do Parlamento Andino, Ivonne Juez, e pelo secretário de Relações Exteriores do Parlatino, Mario Fernández Saviñón.

"Vemos que a direção diz uma coisa e na prática se produz outra; fala-se de não-discriminação, de garantir direitos, de respeito a normas, mas diariamente são devolvidos de Madri turistas que têm seus documentos em dia", disse Pizarro.

Por este motivo, o presidente do Parlatino assegurou que fará em Madri uma chamada perante uma situação que considera "discriminatória e arbitrária, que não tem explicação e pela qual ninguém se responsabiliza".

Na sua opinião, a diretiva aprovada pelo Parlamento Europeu é "um ato repressivo de algumas posturas conservadoras.

"Entendemos a preocupação pela segurança e pelo terrorismo, mas em nosso caso se afasta da realidade", disse Pizarro.

Ele lembrou que na reunião extraordinária realizada no último dia 4 em Santiago do Chile, o Parlatino adotou uma resolução "de rejeição" à diretiva e manifestou sua "preocupação e incômodo" por uma lei que "deixa em situação de vulnerabilidade muito alta" os imigrantes latino-americanos.

Pizarro afirmou que, na reunião do dia 4, houve sentimento de "indignação" no Parlatino, porque "não entende porque a Europa, que é vista na América Latina como exemplo de humanidade, solidariedade, cultura, pluralidade e tolerância, adote uma postura tão repressiva".

"A Europa foi um continente de emigrantes e a América Latina foi um de seus grandes receptores; de pessoas que nunca tiveram problemas, mas, pelo contrário, foram extraordinariamente recebidas", acrescentou o presidente do Parlamento Latino-Americano.

Pizarro ainda assegurou que a instituição se propôs a instalar um "Observatório", que permita seguir a forma como se aplicam as normas migratórias e a realidade dos migrantes em situação irregular na Europa, que estimou ser entre 2 milhões e 2,8 milhões, embora tenha admitido não se tratar de números oficiais.

A reunião de Madri, promovida pela Assembléia Parlamentar Euro-Latino-Americana (Eurolat), se realizará na sede madrilena do Parlamento Europeu. EFE jnr/ab/plc

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