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Para ONU, decisão de se proteger em casa foi fatal para vítimas do Nargis

Genebra, 21 mai (EFE).- Uma das principais razões para o alto número de vítimas do ciclone Nargis, que deixou 78 mil mortos e 56 mil desaparecidos em Mianmar (antiga Birmânia) segundo a Junta Militar, foi a decisão das pessoas de se protegerem em casa diante da impossibilidade de buscar proteção em outro lugar, disseram hoje especialistas da ONU.

EFE |

"A maioria das pessoas decidiu ficar em casa, o que se tornou uma decisão desastrosa. Porém, elas não podiam fazer outra coisa", explicou o diretor da Divisão de Redução de Riscos da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), Dieter Schiessl.

A principal causa do elevado número de vítimas foi o aumento do nível do mar a três metros, fenômeno provocado pelo ciclone e pelas intensas chuvas que caíam simultaneamente.

Esse dado foi confirmado por dois cientistas da OMM após uma visita de quatro dias em Mianmar na semana passada.

"O nível das águas subiu extremamente, fazendo com que a população morresse afogada", disse o especialista, que acrescentou que o mar avançou mais de 15 quilômetros na região do delta do rio Irrawaddy.

Outro fator que explica a extensão da catástrofe foi a força do ciclone e seu comportamento assim que tocou o solo birmanês, afirmou Schiessl, para quem a tragédia "era imprevisível".

Também não se podia prever que o ciclone "ficaria 12 horas estacionado na região do delta próxima a Yangun, o que permitiu o desenvolvimento de seu poder destrutivo ao máximo", acrescentou.

A alta vulnerabilidade da população pelo fato de o terreno se encontrar ao nível do mar, a falta de infra-estrutura e as poucas vias de acesso agravaram o impacto do ciclone.

Schiessl confirmou que os dois especialistas enviados a Yangun verificaram se os responsáveis pela previsão do tempo alertaram sobre a passagem do ciclone com uma semana de antecedência.

Segundo Schiessl, foram lançados 33 alertas a entidades públicas e à imprensa, além de outros 18 a órgãos de aviação civil. EFE is/wr/plc

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