Para ONG, colonos que agridem palestinos ficam impunes

De acordo com o relatório da ONG israelense de direitos humanos Yesh Din, publicado nesta quarta-feira, 8% dos colonos suspeitos de cometerem agressões a palestinos são levados a julgamento. O relatório inclui 205 incidentes ocorridos na Cisjordânia, dos quais apenas em 13 casos os suspeitos foram acusados.

BBC Brasil |

A grande maioria das investigações foi fechada sem que haja acusação alguma contra os suspeitos de agressão.

A Yesh Din ("Existe Lei", em tradução livre) investigou casos de agressões físicas de colonos contra palestinos, invasão de propriedades e danos materiais.

Em vários dos casos, palestinos se queixaram que colonos derrubaram ou queimaram suas árvores, tomaram suas terras ou destruíram plantações.

Acusações
A polícia israelense, que é responsável pelos cidadãos de Israel residentes nos territórios ocupados, decidiu apresentar acusações em apenas cinco dos casos de danos a propriedades de palestinos.

Segundo Lior Yavne, diretor do departamento de pesquisa da Yesh Din, a polícia tem a obrigação de esclarecer o baixo número de acusações.

"Os dados apresentados no relatório são muito graves", afirmou Yavne. "A impunidade dos israelenses residentes na Cisjordânia leva Israel a violar suas obrigações morais e, segundo a lei internacional, em relação à população sob ocupação."
O advogado da ONG, Michael Sfard, advertiu que, "se ficar impune, a violência dos colonos contra os palestinos acabará se voltando também contra as próprias forças de segurança israelenses e contra outros israelenses que não pertencem ao grupo dos colonos".

Sfard também afirmou que a impunidade aos colonos faz com que os palestinos deixem de se queixar das agressões e incentiva os agressores a cometerem mais atos de violência contra os palestinos.

A polícia da Cisjordânia afirmou que durante o ano de 2007 houve 550 ocorrências em que foram investigadas contravenções cometidas por colonos e que em 69 desses casos foram apresentadas acusações, sendo que em 30 desses casos a investigação começou em conseqüência de queixas de palestinos contra colonos.

Segundo a policia, o relatório da Yesh Din é "exagerado".

A porta-voz dos colonos de Hebron, Orit Struck, disse também nesta quarta-feira à radio pública de Israel que "a maioria das queixas são feitas à toa, sem base nenhuma, e por isso o índice de acusações é baixo".

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