Para Obama confronto com Irã sobre tema nuclear atingiu ponto decisivo

CAIRO - O presidente americano, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira no Cairo que o confronto sobre o programa nuclear iraniano alcançou um ponto decisivo.

Redação com agências internacionais |

Obama, que rompeu com a política de isolar Teerã, afirmou que será difícil "superar décadas de desconfiança", mas deixou claro às autoridades iranianas que os Estados Unidos estão preparados para seguir adiante nas relações com o Irã.


Barack Obama discursa no Egito / Reuters

"Estamos dispostos a seguir adiante sem condições prévias com base no respeito mútuo, mesmo que seja difícil superar décadas de desconfiança com o Irã", declarou Obama na Universidade do Cairo.

"Mas fica claro para todos que quando se trata de armas nucleares, alcançamos um ponto decisivo", advertiu. "Não se trata simplesmente dos interesses americanos. Se trata de impedir uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio, que poderia levar esta região e o mundo por um caminho extremamente perigoso", prosseguiu Obama.

No entanto, para Obama, isto não exclui que "toda nação - inclusive o Irã - tenha o direito de acesso à energia nuclear pacífica, se o fizer de acordo com o Tratado de Não Proliferação Nuclear".

Novo começo com os muçulmanos

Obama afirmou que "o ciclo de suspeita e discórdia" nas relações entre os Estados Unidos e o mundo muçulmano deve acabar. O presidente dos EUA ofereceu em troca " um novo começo ", baseado nos interesses e no respeito mútuos.

"Vim buscar um novo começo entre os Estados Unidos e os muçulmanos através do mundo, um começo baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo, um começo baseado nesta verdade de que os Estados Unidos e o islã não se excluem", afirmou Obama.

"Enquanto nossas relações forem definidas por nossas divergências, daremos o poder aos que espalham o ódio antes da paz, aos que promovem o conflito ao invés da cooperação", declarou Obama na Universidade do Cairo.

11 de setembro

O presidente americano citou os ataques de 11 de setembro de 2001 como um exemplo da exploração dessas tensões e diz que ela somente trouxe mais medo e desconfiança.

"Enquanto nossas relações forem definidas por nossas diferenças, vamos fortalecer aqueles que semeiam o ódio no lugar da paz e que promovem o conflito no lugar da cooperação que poderia ajudar todos os nossos povos alcançarem a Justiça e a prosperidade. Este ciclo de suspeitas e discórdia precisa acabar", afirmou.

Citando um trecho do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, o presidente americano declarou reconhecer que não é possível haver uma mudança nas relações do dia para a noite, mas prometeu fazer esforços para o diálogo e o respeito mútuo.

Segundo ele, sua convicção de que os Estados Unidos e o mundo islâmico podem viver em harmonia advém de sua experiência pessoal, como descendente de uma família queniana que incluía gerações de muçulmanos, além de ter passado parte da infância na Indonésia, o maior país islâmico do mundo.

Luta contra o extremismo

O presidente dos EUA prometeu que seu país enfrentará "sem descanso os extremistas violentos que representarem uma ameaça grave" à segurança de seu país.

Obama afirmou que enfrentará o extremismo de forma "respeitosa à soberania das nações e ao estado de direito", e em colaboração com as comunidades muçulmanas que também forem ameaçadas.

O presidente americano comentou que durante sua passagem pela Turquia deixou claro que "os Estados Unidos não estão - nem nunca estarão - em guerra contra o Islã", mas que o país confrontará sem descanso "os extremistas que representam uma ameaça grave à nossa própria segurança".

Giro pelo Oriente Médio

O discurso de Obama na Universidade do Cairo, capital egípcia, era esperado como o ponto alto de seu giro pelo Oriente Médio, que tem o objetivo de tentar reduzir as tensões entre seu país e os países árabes ou islâmicos. Ele já havia se reunido pela manhã com o presidente egípcio, Hosni Mubarak .

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* Com AFP e EFE

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