Para o Brasil, sanções fortalecem os que não querem o diálogo

Embaixadora do País na ONU justifica voto contra sanções dizendo que medidas aumentam sofrimento do povo iraniano

iG São Paulo |

O Brasil votou no Conselho de Segurança da ONU contra a nova série de punições ao Irã, por considerar que essas medidas fortalecem os setores que não desejam o diálogo, segundo o discurso da embaixadora brasileira nesse organismo, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quarta-feira o novo pacote de sanções com os votos contrários do Brasil e da Turquia. "Não vemos as sanções como um instrumento efetivo. Com toda a certeza, vão provocar o sofrimento do povo do Irã e favorecer os que não querem que o diálogo prevaleça", disse a embaixadora brasileira.

Além disso, acrescentou, "experiências passadas na ONU, em especial no caso do Iraque, mostram que a espiral de sanções, ameaças e isolamento pode ter como resultado trágicas consequências".

A diplomata defendeu o acordo tripartite Irã-Brasil-Turquia , e afirmou que o governo brasileiro "lamenta profundamente" que "não tenha recebido o reconhecimento político que se merecia; não lhe deram tempo para que rendesse frutos".

Sanções aprovadas

Os 15 países do Conselho se reuniram para votar a proposta de resolução, resultado de cinco meses de negociações entre EUA, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha. As quatro potências ocidentais queriam medidas mais duras, inclusive contra o setor energético iraniano, mas Pequim e Moscou conseguiram diluir as punições previstas no documento de dez páginas.

Embora as novas sanções tenham sido suavizadas após negociações com a Rússia e a China - que têm poder de veto no Conselho de Segurança - elas reforçam ainda mais as medidas já existentes.

A resolução prevê restrições a mais bancos iranianos no exterior, caso haja suspeita de ligação deles com programas nuclear ou de mísseis. Estabelece também uma vigilância nas transações com qualquer banco iraniano, inclusive o Banco Central.

Além disso, ela amplia o embargo de armas contra o Irã e cria entraves à atuação de 18 empresas e entidades, sendo três delas ligadas às Linhas de Navegação da República Islâmica do Irã, e as demais vinculadas à Guarda Revolucionária.

A resolução estabelece também um regime de inspeção de cargas, semelhante ao que já existe em relação à Coreia do Norte.

Paralelamente à resolução, 40 empresas serão acrescidas a uma lista pré-existente de empresas com bens congelados no mundo todo, por suspeita de colaboração com programas nuclear e de mísseis do Irã.

Segundo a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, as novas sanções têm o objetivo de convencer o Irã a interromper seu programa nuclear e retomar as negociações. "Há uma séria de medidas sérias e compulsórias nesta resolução. Ela é forte e ampla e deve ter um impacto significativo no Irã", disse Rice.

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