Para manter equilíbrio com EUA, Moscou desenvolverá armas ofensivas

MOSCOU - A Rússia desenvolverá armas ofensivas para manter o equilíbrio com os Estados Unidos, anunciou o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.

iG São Paulo |

AP
Premiê russo, Vladimir Putin
Premiê russo, Vladimir Putin

"A Rússia deve desenvolver armas ofensivas para enfrentar o escudo antimísseis americano", afirmou Putin.

"Para manter o equilíbrio sem desenvolver um sistema de defesa antimísseis como fazem os Estados Unidos, devemos desenvolver os sistemas ofensivos", completou Putin, durante uma viagem a Vladivostok (extremo oriente russo), citado pela agência Interfax.

"Com um 'guarda-chuva', nossos interlocutores se sentirão em segurança e farão tudo o que quiserem, o equilíbrio será quebrado e teremos mais agressividade na política e na economia", completou.

Em 17 de setembro, o governo dos Estados Unidos anunciou que desistiu do projeto de escudo antimísseis no leste da Europa, elaborado no mandato do presidente George W. Bush e visto por Moscou como uma ameaça à sua segurança. Washington garante que o objetivo do escudo é conter ameaças de Estados "párias", como o Irã.

A Casa Branca alterou o projeto, que estava centrado em uma ameaça de disparo de mísseis iranianos de longo alcance, para um sistema de proteção contra os disparos balísticos de curto e médio alcance.

Segundo Putin, o plano americano de instalar o escudo é o principal entrave a um novo acordo para a redução do arsenal nuclear da Guerra Fria.

As duas potências dizem estar próximas de um acordo que substitua o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start 1, de 1991). Questionado por jornalistas em Vladivostok (leste da Rússia) sobre o maior problema nas negociações, Putin disse: "O problema é que os nossos parceiros estão construindo um escudo antimísseis, e nós não estamos construindo um."

Em Washington, uma fonte oficial de primeiro escalão do governo dos EUA disse à Reuters: "Fizemos um progresso substancial nas negociações e continuamos confiantes de que, quando as negociações forem retomadas, em janeiro, poderemos finalizar um acordo."

A redução de milhares de ogivas dos arsenais nucleares acumulados na Guerra Fria é um elemento central da proposta de Obama de "relançar" as relações com a Rússia, da qual os EUA esperam mais ajuda com relação ao Afeganistão e o Irã.

Líderes russos ainda se mostram céticos com relação à proposta de Obama para o escudo antimíssil, que seria instalado no mar e em terra.

O tratado original expirava em 5 de dezembro, mas foi prorrogado enquanto os dois países negociam um novo. Obama e Medvedev discutiram o assunto pela última vez durante a conferência climática de Copenhague neste mês.

Com informações da Reuters e AFP

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