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Para Lula, referendo é decisivo para refundação da Bolívia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que o referendo marcado na Bolívia para o próximo dia 25, quando uma nova Constituição será ratificada ou rejeitada pelos eleitores, será decisivo para a refundação democrática do país.

BBC Brasil |

"Há hoje uma nova Bolívia, e o povo clama por transformações que tragam novas esperanças e perspectivas para todos", disse Lula em um discurso na localidade de Arroyo Concepción, na fronteira com Corumbá (MS).

"Está em curso uma refundação democrática que busca reduzir desigualdades e valorizar a diversidade", acrescentou o presidente, ao lado do colega boliviano Evo Morales. "Tenho a convicção de que o referendo sobre a nova Constituição será decisivo nessa direção."
Lula disse ainda que Morales deve governar para "todos", não deve aceitar "provocações" e nem reagir às criticas da imprensa.

Na prática, o referendo é visto por analistas como uma votação a favor ou contra Morales, e não apenas sobre a nova Constituição.

Comparação

Lula voltou a comparar Morales ao ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, ao afirmar que um índio finalmente chegou à Presidência da Bolívia, país em que a maioria da população é de indígenas.

"Mandela mudou a história da África do Sul, e aqui também o povo boliviano fez o mesmo", afirmou o presidente.

Sob forte calor e transpirando, Lula citou detalhes da nova Constituição boliviana - pano de fundo de uma disputa violenta e prolongada com a oposição no país.

"Evo, ao antecipar eleições e permitir uma só reeleição, está dando um passo muito importante, que muita gente não fez em outros tempos", disse.

O presidente afirmou que também houve resistência no Brasil à presença de um metalúrgico no poder, mas disse que isso foi superado, apesar de acrescentar que alguns "não vão gostar nunca" de vê-lo na Presidência.

Lula e Morales cortaram as fitas de inauguração de dois trechos do corredor bioceânico que ligará Brasil e Bolívia ao Chile, banhado pelo Oceano Pacífico. O primeiro liga Arroyo Concepción a El Carmen, e o segundo, El Carmen a Roboré.

Gás

Lula reiterou a decisão do Brasil de investir na Bolívia. Nos últimos dias autoridades bolivianas reclamaram, nos bastidores, que promessas de investimentos do governo brasileiro ainda não tinham saído do papel.

"O presidente Evo tem sido fiel à sua palavra de que nunca faltará gás para o Brasil", afirmou. "Por isso, digo e repito que não faltarão investimentos brasileiros na Bolívia e consumidores brasileiros para as riquezas bolivianas."

O presidente também comentou a crise financeira internacional, destacando que a turbulência começou nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, "símbolos do capitalismo".

Para Lula, a crise mostrou a importância da presença do Estado. "A crise é americana, européia e do Japão, mas a solução é de todos", disse.

Apoio

Morales agradeceu o apoio de Lula no atual momento político vivido pela Bolívia. "A presença do presidente Lula hoje aqui é um claro apoio às transformações na Bolívia", afirmou.

O presidente boliviano disse ainda que não vai "parar o processo de mudanças" no país.

Morales disse que foi eleito com 54% dos votos, em janeiro de 2006, que foi ratificado com 67% no referendo realizado no ano passado e que a vitória "vai ser maior ainda no domingo, dia 25".

Segundo Morales, Brasil e Bolívia precisam um do outro. A Bolívia é o principal fornecedor de gás para o mercado brasileiro, apesar de o Brasil ter reduzido a compra de gás boliviano nos últimos tempos.

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