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Para Lula, instabilidade sul-americana é sinal de vida

No discurso de abertura da cúpula que criou, nesta sexta-feira, a União das Nações Sul-americanas (Unasul), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a instabilidade regional é um sinal de vida. A instabilidade que alguns pretendem ver em nosso continente é sinal de vida, especialmente de vida política.

BBC Brasil |

Não há democracia sem povo nas ruas, sem confronto de idéias", disse o presidente.

A frase é uma referência indireta à tensão que vivem Equador, Colômbia e Venezuela por causa da ação do governo colombiano em território equatoriano, em março, para atacar guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Essa tensão é um dos grandes temas informais do encontro em Brasília.

O tratado que foi assinado em Brasília estabelece as diretrizes básicas de funcionamento e objetivos da nova instituição.

Para a diplomacia brasileira, a formalização da Unasul - que já existia como um grupo dos países da região - em uma instituição internacional é um passo natural no aprofundamento das relações do subcontinente.

Segundo o Itamaraty, os objetivos da Unasul são "o fortalecimento do diálogo político entre os Estados membros e o aprofundamento da integração regional". Será criada uma Secretaria-Geral e uma série de conselhos deliberativos.

Burocracia
Com o ato de criação da Unasul também deve ser definido o nome de seu secretário-geral, que deveria ser o ex-presidente equatoriano Rodrigo Borja. No entanto, ele anunciou que não aceitaria o cargo na quinta.

Em entrevistas no Equador, Borja criticou a lentidão para criar a instituição e principalmente o que ele interpreta como a falta de poder que ela terá. "O que se vai aprovar amanhã (nesta sexta) é mais um foro do que uma instituição orgânica", disse ele.

O aprofundamento das relações regionais começou há mais de oito anos, ainda no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, quando, a convite do brasileiro, foi realizada uma reunião entre todos os presidentes da região em Brasília.

Foi a primeira vez que se começou a colocar em prática a idéia de união no subcontinente e não da América Latina ou das Américas como um todo. Desde então, a iniciativa ganhou diferentes formas. Em 2004, a iniciativa, em parte por influência do Brasil, ganhou novo impulso com a criação da Comunidade Sul-Americana de Nações, ou Casa.

A criação da Casa, a antecessora imediata da Unasul, teve como intenção concretizar a integração regional em dimensões práticas, como na melhora da infra-estrutura física e na maior relação energética.

Embora nos últimos anos a integração em alguns aspectos tenha se aprofundado, para críticos e céticos os problemas de assimetria econômica, diferentes visões políticas e interesses internacionais ainda mantêm uma integração profunda da região apenas como um objetivo distante.

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