Para G8, agricultura ajudará a estabilizar o Afeganistão

Miguel Cabanillas. Trieste (Itália), 27 jun (EFE).- A cúpula que reuniu os ministros de Assuntos Exteriores do G8 (os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) terminou hoje, na cidade italiana de Trieste, com a convicção de que o estímulo à agricultura no Afeganistão pode ajudar a estabilizar o país.

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Para as delegações que participaram da reunião, que contou ainda com a presença de representates afegãos e paquistaneses, a estabilização do Afeganistão e dos países vizinhos, sobretudo do Paquistão, passa pelo desenvolvimento econômico da população e, principalmente, da agricultura.

"Os participantes apostam que uma cooperação agrícola mais ampla vai propiciar o desenvolvimento rural, a segurança alimentar, o crescimento do emprego, níveis de receita mais elevados, alternativas ao cultivo de opiáceos e, por fim, a diminuição das tensões na região", diz a declaração final do encontro.

Segundo o ministro de Assuntos Exteriores da Itália, Franco Frattini, os países convidados para a cúpula pensam em lançar um "Plano Marshall Verde" para o Afeganistão, em colaboração com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

O G8 (EUA, França, Alemanha, Itália, Canadá, Rússia, Japão e Rússia) também quer melhorar as infraestruturas regioais e encontrar uma forma de o Afeganistão, o Paquistão e o resto dos países da área conseguirem ter acesso aos mercados externos.

Outro tema crucial para a estabilidade da região e que foi tratado no encontro deste sábado foram as próximas eleições presidenciais do Afeganistão, que acontecem em agosto.

Na tarde de ontem, os países do G8 já tinham reiterado ao ministro de Assuntos Exteriores do Afeganistão, Rangin Dadfar Spanta, seu compromisso com a comissão independente para as eleições presidenciais afegãs.

Hoje, Frattini disse que a comunidade internacional deveria "defender com força" o apelo feito mais cedo pelo presidente afegão, Hamid Karzai, para que "todos os grupos armados da oposição", inclusive os talibãs, participem do pleito.

O ministro italiano afirmou que é preciso saber distinguir "na galáxia talibã os grupos tribais que são prisioneiros da Al Qaeda e do terrorismo e que podem ser reconduzidos a um quadro de legalidade".

Na cúpula do G8, o Afeganistão e o Paquistão também se comprometeram a cooperar judicialmente com outros países e a reforçar o controles nas fronteiras para coibir o narcotráfico e a livre circulação de terroristas.

O Irã também voltou a virar tema do encontro. Mais uma vez, os ministros de Assuntos Exteriores tiveram que responder a perguntas sobre a crise que explodiu após as eleições iranianas de 12 de junho. Tudo porque Frattini disse ontem que o G8 não dava por encerrado o assunto das eleições presidenciais no país.

As declarações do G8 sobre o Irã seguiram a linha das que foram dadas nos últimos dias. Em resposta, Teerã as classificou hoje como uma "ingerência". EFE mcs/sc

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