Para FAO, 20 anos de decisões ruins geraram crise dos alimentos

Por Crispian Balmer PARIS (Reuters) - As fracas decisões políticas tomadas nas últimas duas décadas resultaram na atual crise dos alimentos e, agora, os esforços devem ser direcionados às colheitas de 2008, afirmou nesta quarta-feira o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

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A ONU alertou que milhões de pessoas são ameaçadas pela fome no mundo por causa da recente alta nos preços dos alimentos, mas o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, disse que há soluções.

'Isto não é uma tragédia grega, na qual o destino é decidido pelos deuses e os humanos não podem fazer nada a respeito. Não, nós temos a habilidade de influenciar nosso futuro', disse ele em uma coletiva de imprensa.

'É bom que as instituições internacionais... estejam ajudando os pobres a ter acesso à comida, mas, do nosso lado, precisamos lutar a batalha mais importante hoje, que é garantir que a temporada de colheitas de 2008 seja um sucesso', acrescentou.

Entre os fatores responsáveis pela alta dos preços, estão a demanda crescente de países como a China, o uso das safras para a produção de biocombustíveis, a especulação do mercado e a queda constante nos preços das ações.

Combinados, estes fatores teriam provocado os recordes de preços de produtos como trigo, milho e arroz.

'Acima de tudo, não investimos no gerenciamento dos recursos hídricos em diferentes países do terceiro mundo... Na África, somente 7 por cento da terra é arável', disse Diouf.

A FAO prevê um aumento de 2,6 por cento na produção de cereais neste ano.

Para Diouf, esse número poderia aumentar de forma significativa nos próximos anos caso as grandes nações invistam em agricultura e auxílios agrícolas.

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