Para facilitar resgate, equipes fazem buracos em casco de navio naufragado

Explosões controladas buscam permitir entrada de mergulhadores em todas as àreas de cruzeiro que tombou na costa da Itália

iG São Paulo |

Equipes provocaram explosões controladas no navio Costa Concordia nesta terça-feira, como parte das operações de resgate de sobreviventes do naufrágio na costa da Itália, cujo número de mortos aumentou nesta terça-feira de seis para 11 após mais cinco corpos terem sido encontrados. Antes da nova contagem de mortos, as autoridades apontavam 29 desaparecidos: 14 alemães, seis italianos, quatro franceses, dois americanos, um peruano, um húngaro e um indiano.

O porta-voz da Marinha italiana, Alessandro Busonero, afirmou que duas explosões criaram buracos no casco do navio, na tentativa de facilitar a entrada de mergulhadores e bombeiros em partes da embarcação às quais não tinham acesso. “Estamos correndo contra o tempo”, disse.

Leia também: Capitão ignorou ordem de retornar ao navio, diz imprensa italiana

AP
O navio Costa Concordia é visto tombado perto da ilha de Giglio, na Itália (17/01)

Segundo o porta-voz da Guarda Costeira, Filippo Marini, ainda há uma pequena possibilidade de que sobreviventes sejam encontrados. “A esperança é que o navio esteja vazio e as pessoas estejam em outro lugar, ou que elas tenham encontrado um lugar seguro dentro da própria embarcação”, afirmou.

Enquanto o resgate continua, a Justiça italiana se prepara para interrogar o capitão Francesco Schettino, acusado de ter provocado o acidente e abandonado o navio sem cuidar da retirada dos passageiros e tripulantes. Nesta terça-feira, um juiz vai decidir se Schettino deve continuar detido.

Gravações da caixa preta do navio e de ligações telefônicas obtidas pela imprensa italiana indicam que o capitão teria ignorado uma ordem da guarda costeira italiana para retornar ao navio e coordenar a retirada dos passageiros e tripulantes.

De acordo com os relatos publicados pela imprensa italiana, em uma conversa com a guarda costeira várias horas após o navio se chocar com a rocha que provocou seu naufrágio, Schettino dá respostas evasivas, sugerindo que não estava no controle da retirada dos ocupantes do navio.

Segundo o "Corriere della Sera", a guarda costeira perguntou ao capitão quantas pessoas ainda estavam a bordo. Embora a embarcação estivesse cheia, o comandante respondeu que apenas entre 200 e 300.

A resposta levantou suspeitas e a guarda costeira perguntou se ele tinha deixado o navio. Schettino teria dito que sim. "O que você está fazendo? Está abandonando o resgate? Capitão, isto é uma ordem, estou no comando agora. Você declarou 'abandonar o navio'", afirma o oficial da guarda costeira a Schettino em determinado momento da conversa.

Ao ouvir do oficial que já havia corpos encontrados, Schettino pergunta quantos e ouve como resposta: "Isso é para você me dizer. O que você está fazendo? Quer ir para casa?", questiona o interlocutor.

O comandante garantiu que voltaria ao navio, mas testemunhas e investigadores que cuidam do caso afirmam que ele não voltou e disseram que ele pegou um táxi em direção a um hotel.

Ainda segundo as gravações obtidas pela imprensa italiana, o choque do navio com a rocha teria ocorrido às 21h45 (18h45 de Brasília), mas o capitão somente teria declarado problemas com a embarcação 49 minutos depois.

O primeiro alarme recebido pela guarda costeira teria vindo com a chamada de um passageiro do navio, às 22h06. A guarda costeira contatou então a tripulação do navio, mas foi informada que havia apenas um problema elétrico.

O Costa Concordia naufragou na costa italiana na noite de sexta-feira, com mais de 4,2 mil a bordo, incluindo cerca de 1 mil tripulantes.

Com AP, Reuters e BBC

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