Para europeus, Itália é sinônimo de pizza

Carmen Postigo. Roma, 3 fev (EFE).- Com 8%, pizza é a palavra italiana mais importante e usada nos países da União Europeia (UE), seguida por um empate entre spaghetti e espresso, ambas com 7%, segundo um estudo publicado hoje pela Sociedade Dante Alighieri, entidade responsável pela difusão da cultura da Itália pelo mundo.

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A imprensa italiana destaca que o triunfo destes três vocábulos e seu uso em todas as línguas da UE se traduz como o gosto dos europeus pela cozinha italiana, que os italianos consideram a mais excelente e variada da Europa.

Claro, a popularidade da palavra é uma prova de que souberam exportar como ninguém sua gastronomia a todo o mundo.

O rótulo "Made in Italy" em qualquer produto é na Itália equivalente a excelência e a qualidade e a pizza também não escapa à prova de autenticidade. Os romanos a preferem com fina massa e os napolitanos, seus inventores -segundo dizem-, mais grossa.

Discussões por discussões, reza a lenda que a pizza margherita foi inventada no fim do século XIX por um pizzaiolo napolitano que a batizou assim em homenagem à rainha Margherita de Sabóia, pelo que não é difícil deparar-se em trattorias e pizzarias com o conseguinte cartaz: "a verdadeira pizza napolitana".

E a "verdadeira margherita" é assada em forno de lenha e elaborada à base de azeite de oliva virgem e mussarela, além da massa - farinha, água e sal- trabalhada exclusivamente à mão. Nada de rolo.

Há poucas variações na maioria dos países, com destaque para França e Bélgica, onde o segundo lugar foi para a expressão "la dolce vita" (a doce vida), uma forma de entender a vida "Made in Italy", que não fica alheia aos sonhos e práticas dos italianos poderosos.

Além disso, é imortalizada no filme homônimo de Federico Fellini protagonizado por Anita Ekberg e Marcello Mastroiani, com a Fonte de Trevi como um fundo excepcional na lembrança.

O "spaghetti" varia, em geral, entre o segundo e terceiro lugares, caso os países europeus se encantem mais ou menos pelos excelentes cafés italianos.

A aceitação da massa italiana na Europa, personificada neste caso no "spaguetti", é outro dos triunfos do talento italiano em vender seus produtos.

Alguns atribuem sua origem a Marco Polo, que aparentemente a trouxe do Extremo Oriente no século XIII, embora outros reivindiquem sua autoria para os primeiros habitantes da Itália, os etruscos.

A massa é tão arraigada nos italianos quanto a "mamma"; eles não podem viver sem ela, a comem com prazer todos os dias em todas suas formas -existem pelo menos 600 variedades-, molhos e condimentos e, quando viajam, retornam com uma verdadeira síndrome de abstinência.

Também não há força de vontade que negue um "espresso" fervendo, que queima paladares com um só gole a qualquer hora do dia, além de agilizar conversas e pensamentos.

Um derivado mais "piedoso" que o anterior, o capuccino vai abrindo passagem na pesquisa como outro das palavras-produto favoritas nos países da UE.

A hegemonia da gastronomia italiana na pesquisa da Sociedade Dante Alighieri fica para discussões de sociólogos e gastrônomos, mas também há exceções, algumas muito virtuosas.

Afastada da paixão pela comida, a Letônia concede os cinco primeiros postos a palavras que descobrem a elevada formação dos letões: "soneto" e "virtuoso" (10%); "chiaroscuro", "quinteto" e "violino" (7%).

Na ex-comunista Bulgária, surpreendentemente triunfa "banco" com 7%, enquanto Chipre é o único país que honra o centenário do nascimento do "futurismo" com 6%, os mesmos pontos que "la dolce vita" e "espresso".

Muitas palavras foram ditas à Dante Alighieri, mas há uma expressão muito querida e vislumbrada dentro e fora da península itálica da qual não se deu conta a ilustre sociedade: "il dolce far niente" ("é doce não fazer nada"). EFE cps/jp

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