Para EUA, sanções 'começam a incomodar' Irã

Segundo a porta-voz do Departamento de Estado, ameaças da marinha iraniana mostram que as punições econômicas surtiram efeito

iG São Paulo |

Os Estados Unidos disseram nesta terça-feira que a ameaça mais recente do Irã, de tomar alguma medida se a Marinha dos Estados Unidos transportasse um porta-aviões para o Golfo, era um sinal de que as sanções econômicas da comunidade internacional estão colocando Teerã em uma situação cada vez mais difícil.

Leia também:
- Irã ameaça agir se porta-aviões dos EUA voltar ao Golfo Pérsico
- Marinha iraniana testa míssil de longo alcance com sucesso, diz TV

AP
Imagem divulgada por agência iraniana mostra míssil Ghader de longo alcance que teria sido lançado durante manobras navais (02/01)

"Nós vemos essa ameaça do Teerã como uma crescente evidência de que a pressão internacional está começando a incomodá-los", disse a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland. "Eles estão se sentindo cada vez mais isolados e estão tentando desviar a atenção de seu povo das dificuldades dentro do Irã, incluindo as dificuldades econômicas, como o resultado de sanções."

Por seu lado, o Pentágono disse que não estava buscando um confronto com o Irã em relação à passagem pelo Estreito de Ormuz, assim como indeferiu também a ameaça militar iraniana que pretendia manter porta-aviões dos EUA para fora do Golfo. "O nosso interesse é manter segura a passagem marítima de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. Esse é o nosso desejo", disse o porta-voz do pentágono George Little.

"Ninguém nesse governo busca um confronto sobre o Estreito de Ormuz. É importante que baixemos os ânimos", completou.

Os militares dos EUA afirmaram que vão continuar enviando grupos de porta-aviões ao Golfo para manter seus "movimentos regulares agendados" e em conformidade com o direito internacional.

O Irã realizou dez dias de exercícios navais, nos quais testou diversos mísseis perto do estratégico Estreito de Ormuz, responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo utilizado no mundo.

Na semana passada, uma autoridade iraniana ameaçou fechar esse importante estreito , caso o país sofresse mais sanções. Porém, na segunda-feira, o governo iraniano voltou atrás da ameaça . Um alto oficial da Marinha, almirante Mahmoud Mousavi, afirmou que o país não pretende fechar a importante rota marítima do petróleo que vai do Golfo Pérsico para os países ocidentais.

A rigidez das sanções da comunidade internacional contra o país persa ocorre por seu controverso programa nuclear. A crise piorou quando a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) divulgou um relatório no qual falou, pela primeira vez, que o país trabalha para obter armas nucleares, o que Teerã sempre negou.

O Conselho de Segurança da ONU já aprovou quatro rodadas de sanções contra o Irã por se recusar em suspender o enriquecimento de urânio. Os Estados Unidos também sancionou dezenas de agências do governo iraniano, autoridades e negócios ligados ao programa nuclear.

No último sábado, o presidente Barack Obama promulgou uma lei que pune o Banco Central do país. Mais cedo nesta terça-feira, o chanceler francês Alain Juppé pediu por sanções mais "duras" e pediu aos países da União Europeia que sigam os EUA no congelamento de transações com o Banco Central do país.

Viagem de Ahmadinejad

A Casa Branca subestimou nesta terça a relevância da viagem do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, pela América Latina em janeiro e destacou que Washington seguirá comprometido com seus vizinhos para manter o bom nível de relações.

De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, o governo americano "está concentrado no compromisso com a América do Sul e Central, que pretendemos que continue em um nível sólido".

Carney não quis analisar detalhadamente as visitas que Ahmadinejad realizará na Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador durante a segunda semana de janeiro e que é vista como uma tentativa de Teerã de fortalecer alianças com vizinhos estratégicos de Washington.

"Em relação ao Irã, estamos focados em sua incapacidade de se entender com o mundo e de ser responsável no referente à suas obrigações internacionais", declarou Carney.

A viagem de Ahmadinejad é sua segunda pela América Latina e tem como objetivo avaliar as relações bilaterais, de âmbito internacional e os projetos conjuntos, segundo Teerã. Em sua viagem, o líder iraniano se reunirá com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e assistirá à posse do presidente nicaraguense, Daniel Ortega.

Com Reuters, AP e EFE

    Leia tudo sobre: irãsançõeseuaestreito de ormuzcrisepetróleoenergiaarmas nuclearesporta aviões

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG