Por Tabassum Zakaria WASHINGTON/DUBAI (Reuters) - A Casa Branca disse na quarta-feira que um novo áudio de Obama bin Laden convocando uma jihad (guerra santa) demonstra o isolamento do líder da Al Qaeda e que ela deve ser um esforço para arrecadar dinheiro.

A fita apareceu quando os Estados Unidos se preparam para transferir o poder do presidente George W. Bush para o presidente eleito Barack Obama na semana que vem.

O militante de origem saudita disse que a crise financeira global expôs a influência cada vez menor dos EUA sobre os negócios mundiais e iria, por sua vez, enfraquecer Israel, seu aliado.

"Irmãos na Palestina, vocês sofreram muito...os muçulmanos são solidários a vocês com o que vêem e ouvem. Nós, os mujahideen, também somos solidários a vocês...", disse Bin Laden na fita chamada 'Convocação para uma jihad a fim de deter a agressão contra Gaza'.

"Estamos com vocês e não os decepcionaremos. Nosso destino está ligado ao de vocês na luta contra a coalizão dos cruzados-sionistas, na luta até a vitória ou ao martírio."

O total de palestinos mortos na ofensiva de 19 dias para acabar com o movimento islâmico Hamas em Gaza passa de 1.000, causando revolta entre os povos árabes e muçulmanos. Israel disse ter perdido três civis, atingidos por foguetes ou morteiros disparados de Gaza, e 10 soldados.

Após os ataques de 11 de setembro de 2001, Bush declarou que queria Bin Laden capturado vivo ou morto. O líder da Al Qaeda escapou da caçada humana norte-americana e acredita-se que ele esteja escondido na remota região de fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.

"Parece que essa fita é uma prova de seu isolamento e de repetidas tentativas para permanecer relevante em uma época em que a ideologia, a missão e a agenda da Al Qaeda estão sendo questionadas ou desafiadas ao redor do mundo", disse o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe.

"Isso também parece um esforço para arrecadar dinheiro como parte da atual campanha de propaganda deles", afirmou ele.

"CAMINHO DA JIHAD"

Na fita de 22 minutos, Bin Laden disse que os Estados Unidos estão perdendo sua posição dominante no mundo e isso em razão da campanha da Al Qaeda.

"A jihad de seus filhos contra a coalizão dos cruzados-sionistas é uma das principais razões para esses efeitos destrutivos entre nossos inimigos", afirmou Bin Laden.

"Deus nos concedeu com a paciência para continuar o caminho da jihad por outros sete anos, e sete e sete...A questão é: a América é capaz de continuar sua guerra contra nós por mais décadas pela frente? Relatos e evidência sugerem o contrário."

A última vez que Bin Laden havia aparecido tinha sido em uma fita de áudio de maio de 2008, quando também voltou sua atenção para Gaza, convocando os muçulmanos para tentar pôr fim ao bloqueio contra a área.

Nos últimos anos, ele tem colocado ênfase cada vez maior no conflito israelense-palestino. A fita de áudio de quarta-feira foi acompanhada por uma foto de Bin Laden e por uma imagem da mesquita de Al-Aqsa, de Jerusalém, o terceiro templo mais sagrado do Islã.

A Al Qaeda, a rede por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra cidades norte-americanas, convoca com frequência ataques contra Israel.

(Com reportagem de Firouz Sedarat)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.