Para especialistas, navio pode ter afundado por erro de navegação

Engenheiros navais ouvidos pelo iG falam sobre naufrágio na Itália

Camila Lira, iG São Paulo |

O naufrágio do Costa Concordia nas águas do Mediterrâneo pode ter sido causado por rochas no fundo do banco de areia, segundo Abraham Lincoln Rosemberg e José Carlos Belfort Furia engenheiros navais da classificadora de risco brasileira RBNA. Eles explicam que, se fosse apenas um banco de areia, pouca coisa teria acontecido com o casco de 290 metros do cruzeiro de luxo.

“O rasgo foi de quase 1/3 do navio, isso ou é pedra no fundo do mar, ou uma âncora perdida no fundo do banco de areia”, diz Belfort. O engenheiro também não descarta a possibilidade de um “erro de navegação”, uma vez que o banco de areia, ou até as rochas, deveriam ter aparecido nos aparelhos eletrônicos de navegação.

Rosemberg comenta que pode até mesmo ter sido uma pequena pedra que causou o estrago. “Um pequeno problema num grande navio é um grande problema”, acrescenta Belfort. O incidente que matou três pessoas, deixou várias feridas e outras desaparecidas, é analisado como “estranho” aos olhos de Belfort.

Ele explica que embarcações de grande porte, normalmente, tem normas de segurança mais severas e que o Costa Concordia naufragou muito perto do ponto inicial. Além disso, segundo os engenheiros, o tamanho do rasgo foi maior do que o comum.

É difícil não comparar o acidente com o desastre do Titanic, que está perto de fazer 100 anos. “Parece que os passageiros estavam jantando quando ocorreu o problema, assim como no Titanic”, conta Rosemberg. “Pode ter acontecido o que chamamos de ‘falência catastrófica’, que é quando algo falha e as outras coisas vão parando por causa disso. Foi exatamente isto que aconteceu no Titanic”, diz Belfort.

Veja imagens do naufrágio

Evacuação

O navio estava virando, explica Rosemberg, nem a tripulação e nem os passageiros sabiam muito o que fazer. O fato de o navio estar inclinado também não ajudou na hora da evacuação, uma vez que os botes salva-vidas não conseguiam ser jogados ao mar.

“Este problema tem mais de um século de existência, existe toda uma série de estudos sobre equipamentos para lançar botes com inclinações de até 30 graus, se foi além desse limite, os botes de cima não podem ser lançados nem os de baixo”, comenta Belfort.

Os engenheiros explicam que não há como saber a razão do naufrágio antes de todos os estudos e laudos. “Navio não tem caixa preta, como um avião, o que dificulta um pouco a análise”, diz Belfort. A Costa Crociere, empresa proprietária do navio, afirmou que ainda é cedo para dizer o que causou o acidente.

O navio

O Costa Concordia é o maior cruzeiro de luxo da Costa Crociere, companhia italiana. O transatlântico tem 290 metros de comprimento, 35 metros de largura e pesa 112 mil toneladas. No total, são 1500 cabines, 500 delas com sacada. A embarcação tem capacidade para até 4.800 pessoas, sendo 3.700 passageiros e 1100 tripulantes.

Ele faz parte de uma nova “classe” de navios da companhia Costa Crociere, uma classe luxuosa de cruzeiros voltada mais para a diversão.

No Costa Concordia, os passageiros podiam encontrar mais de 10 bares e 5 restaurantes; o navio conta também com 5 jacuzzis, 4 piscinas (duas delas com cobertura retrátil), um cinema em 4D e um teatro de três andares.

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