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Para especialistas, identidade do brasiliense ainda está em gestação

O aniversário de meio século de Brasília nesta quarta-feira traz à tona uma discussão sobre a existência - ou não - de um estereótipo para o brasiliense.

BBC Brasil |

Igo Estrela/ObritoNews
Congresso

Os pesquisadores argumentam que esse perfil ainda está "em gestação", mas que, com a ajuda de indicadores sócio-econômicos, é possível entender melhor quem é o brasiliense hoje.

A linguista Stella Maris Bortoni, da Universidade de Brasília (UnB), diz que apesar de a capital federal ter sido foco de uma intensa imigração, nenhum outro estereótipo do país se sobrepõe na formação da identidade brasiliense.

"O que percebemos, seja no sotaque ou no comportamento, é que veremos o nascimento de um estereótipo local que não incorpora nenhum dos outros do país de forma acentuada", diz.

Um estudo do sociólogo Brasilmar Nunes Ferreira, da Universidade Federal Fluminense, revela uma cidade que já não é dominada por imigrantes. As estimativas são de que mais da metade da população atual tenha nascido no Distrito Federal - um marco na história da capital.

"Já temos aí uma geração considerável de brasilienses. Esse fator é um dos que mais contribui para a criação de uma identidade local", diz o sociólogo.

Conservador

De acordo com o professor da UFF, o brasiliense do Plano Piloto é uma pessoa estabilizada, com salário e empregos fixos. "Ele está acostumado a planejar tudo, a compra de um apartamento, de um carro, as férias", diz. "Esse brasiliense dá valor a essa vida estável, o que pode resultar em um perfil mais conservador", diz.

Outra característica do Plano Piloto, segundo ele, é a "homogeneidade" de tipos, diferentemente do que ocorre nos grandes centros urbanos do país, como Rio de Janeiro ou São Paulo.

"É como se essa parte de Brasília fosse habitada por uma única classe social, que é alta", diz. "Dá uma sensação de que são todos da mesma família", acrescenta.

Já nas cidades satélites, diz o sociólogo, o controle sobre o espaço urbano não foi tão forte, o que resultou em regiões menos favorecidas em termos econômicos, mas ao mesmo tempo "mais democráticas".

Como resultado de um rígido controle das autoridades, a região do Plano Piloto tem uma densidade demográfica de 420 habitantes por quilômetro quadrado. Em Taguatinga, esse número chega a 2 milhões de pessoas.

Segundo ele, a segregação pode fazer surgir dois tipos de brasiliense - o do Plano e o das cidades satélites. "Mas ainda é cedo para falar disso. Aos 50 anos, Brasília ainda é uma criança do ponto de vista histórico", diz.

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