México, 29 jul (EFE).- O endurecimento dos controles nas fronteiras do México com os Estados Unidos e com a Guatemala aumenta as chances de milhares de migrantes contraírem aids e faz crescer a possibilidade de que a epidemia se estenda nos territórios mexicano e centro-americano, segundo o especialista Mario Bronfman.

Bronfman, co-diretor do Comitê do Programa Científico da 17ª Conferência Internacional sobre aids, disse hoje em entrevista à Agência Efe que a maior vigilância nas fronteiras leva "as pessoas a se exporem mais", a ficarem sujeitas a condutas de risco tendendo a serem contagiadas pela doença.

O especialista é o representante no México e na América Central da Fundação Ford, e uma autoridade na relação entre migração e aids, tema que será exposto durante a conferência, que começará no domingo na capital mexicana.

O problema se torna evidente em casos como os de alguns imigrantes, que trabalham em povoados americanos na fronteira. Como são ilegais, não podem converter em dinheiro o salário recebido em cheques. Por isso, acabam indo a bares para trocá-los.

"São reunidos dinheiro, álcool e um terceiro elemento: na porta do bar estão as trabalhadoras sexuais", contou Bronfman.

Segundo o especialista, distribuir preservativos como medida de prevenção do HIV nesses casos não faz sentido, mas deveriam ser estabelecidas condições para que "o imigrante não tenha que trocar seu dinheiro em um bar".

Existem dados da Pastoral da Mobilidade Humana que indicam que 60% das mulheres que atravessam o México a partir da América Central para chegar aos EUA têm atividade sexual "não consentida" em território mexicano.

"Em alguns casos, estupro, em outros, para pagar com sexo serviços ou favores (...), algumas têm que se vender para poder alcançar sua meta, outras são parte de um grupo que as utiliza como moeda de troca", explicou. EFE jd/bm/plc

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