Para especialista, América do Sul não está em corrida armamentista

SÃO PAULO -Embora alguns países da região tenham incrementado seus gastos militares nos últimos anos, é incorreto afirmar que a América do Sul vive uma corrida armamentista, disse à agência ANSA o professor Rafael Duarte Villa, da Universidade de São Paulo (USP).

Ansa |

Segundo ele, não se pode assegurar que há um nível crescente e generalizado de compras de equipamentos de defesa, fator que indicaria a existência de uma competição entre vizinhos.

"São argumentos colocados sem nenhuma consistência. Corrida armamentista implica em que os países sintam um claro temor em relação ao armamento que é comprado, adquirido ou produzido pelo outro, e isso leva a uma corrida generalizada", argumenta.

O aumento dos gastos militares e as colaborações mantidas por alguns governos com países de fora da região devem estar entre os temas da reunião do Conselho de Defesa Sul-Americano , que acontece hoje em Quito, no Equador.

Villa explica que os únicos países sul-americanos que têm feito compras expressivas são Chile e Venezuela. "Há também um projeto por parte do Brasil, mas que ainda não foi efetivado", afirma, referindo-se à negociação conduzida pelo país para adquirir novos caças.

"Mas, se você olha para países como Argentina, Uruguai e Peru, percebe que as compras feitas por eles nos últimos anos são mínimas", prossegue.

Além disso, o professor ressalta que a existência de uma corrida armamentista exerce forte impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de cada nação envolvida. "Com exceção do Chile, que gasta em torno de 3,5% de seu PIB, em outros países, como Brasil e Venezuela, a relação é muito mais baixa, de cerca de 1,5%", indica.

No caso do Chile, Villa aponta os benefícios proporcionados pela Lei do Cobre, que permite ao país aplicar 10% dos recursos obtidos com a exportação da matéria-prima em despesas militares.

De acordo com o professor, é importante ressaltar que estas compras de armas estão relacionadas basicamente a dois motivos. O primeiro é a necessidade de modernizar as Forças Armadas. "Devido às crises econômicas pelas quais passaram esses países na década de 1990, não houve oportunidade para renovar os armamentos", diz.

Porém, tal situação foi revertida a partir do início da década, quando muitas economias passaram a experimentar altas taxas de crescimento, o que também colaborou para engordar os orçamentos de defesa, segundo Villa.

A outra questão, lembra ele, é o desejo de alguns governos de buscarem posições políticas de maior representatividade no cenário internacional. O especialista destaca o caso do Brasil, "que tem planos de ser, no mínimo, um país com influência regional", e do Chile, que busca ganhar o status de aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

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