O Dia , prêmio valoriza coragem de jornalistas - Mundo - iG" /

Para diretor de O Dia , prêmio valoriza coragem de jornalistas

Rio de Janeiro, 29 jan (EFE).- O Prêmio Rei da Espanha na categoria de Imprensa concedido hoje a uma equipe do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, é um reconhecimento à coragem pessoal e à determinação profissional dos autores da reportagem, disse à agência Efe o diretor de redação, Alexandre Freeland.

EFE |

Uma equipe de "O Dia" foi premiada pela reportagem "Milícias - Política do terror", publicado em 1º de junho de 2008, sobre as milícias que controlam pela força das armas algumas favelas do Rio de Janeiro, sob a alegação de impedir a ação de quadrilhas de narcotraficantes.

A autora da reportagem, um fotógrafo e o motorista que os acompanhava foram sequestrados e torturados em maio do ano passado quando investigavam a ação das milícias na favela do Batam, mas, apesar disto, publicaram a informação.

Os nomes dos autores não foram revelados "para proteger sua integridade física", segundo reflete a ata dos Prêmios.

"Os jornalistas mostraram coragem não só ao fazer a reportagem, mas também ao enfrentar a covardia da quadrilha de milicianos e ao publicar o trabalho, apesar da tortura e das ameaças para que não fizessem nenhum tipo de denúncia e não publicassem o que tinham visto nessa comunidade", acrescentou Freeland.

O diretor de "O Dia" afirma que a reportagem premiada "desmascarou as milícias", pois acabou com o argumento de que estas quadrilhas, geralmente formadas por policiais na ativa ou aposentados, seriam "um mal menor" dentro do fenômeno do narcotráfico que domina as favelas do Rio de Janeiro.

O trabalho de "O Dia" serviu ainda para mudar o panorama eleitoral do Rio de Janeiro quatro meses antes das eleições municipais de outubro passado, pois mostrou o grau de penetração das milícias em algumas favelas onde seus integrantes haviam criado autênticos "currais eleitorais" para controlar o voto dos cidadãos.

Nas eleições passadas, alguns candidatos a vereador estavam envolvidos com milícias que decidiam que políticos podiam fazer campanha nas áreas sob seu controle.

Por causa da denúncia de imprensa, autoridades destacaram o Exército para patrulhar algumas favelas do Rio de Janeiro e garantir o livre exercício do voto.

A investigação jornalística "mostrou também que havia um projeto político extremamente organizado das milícias. Havia um projeto de conquista de poder pelas armas e pelo voto", ressaltou o diretor de "Ou Dia".

Para Freeland, o trabalho agraciado na 26ª edição dos Prêmios Rei da Espanha "mudou a história do Rio de Janeiro" porque alertou a sociedade sobre um movimento que tinha tentáculos na administração pública, sem que os cidadãos o percebessem.

Esta é a primeira vez em que "O Dia" ganha um Prêmio Rei da Espanha nos 58 anos de existência do diário, lembrou Freeland.

Os Prêmios são dados anualmente pela Agência Efe e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional (Aeci) e serão entregues posteriormente, em uma data ainda por determinar, pelo Rei Juan Carlos I da Espanha.

Os prêmios incluem 39 mil euros (cerca de US$ 50,6 mil) e uma escultura de bronze do artista Joaquín Vaquero Turcios, cada um. EFE joc/jp

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