Para Cristina, Argentina está forte perante crise

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse, nesta segunda-feira, que a atual situação financeira mundial provou que a presença do Estado na economia é insubstituível, em qualquer cenário global. As velhas teorias (econômicas) devem ser deixadas de lado (.

BBC Brasil |

..). A presença do Estado é insubstituível na economia", disse.

Para ela, por ter regras próprias e contar com essa presença do Estado, a Argentina está "forte" frente aos efeitos da crise financeira que se agravou nas últimas horas, depois que congressistas americanos derrubaram o pacote de socorro financeiro sugerido pelo presidente George W. Bush.

"Nos falaram muitas vezes que estavamos equivocados. Mas hoje podemos ver e mostrar que não", disse após uma jornada histórica de quedas no mercado financeiro mundial.

A líder argentina discursou durante lançamento de um plano de financiamento da casa própria, em Buenos Aires.

Polêmica
As palavras da presidente geraram polêmicas entre analistas econômicos de diferentes tendências.

Apesar das afirmações de Cristina, eles observaram que é cedo para dizer que algum país ficará a salvo do terremoto financeiro.

"O índice Merval da Bolsa de Buenos Aires caiu hoje 8,7%. O preço da soja despencou, só hoje, 6%, e o petróleo, também só hoje, mais de 10%. E para a Argentina o preço da soja, por exemplo, é fundamental para a economia", disse à BBC Brasil o economista Orlando Ferreres, especializado em finanças.

Brasil
Na opinião do secretário de Assuntos Políticos da Organização de Estados Americanos (OEA), o argentino Dante Caputo, que vive em Washington, em um mundo "globalizado" é difícil dizer que algum país esteja imune aos efeitos da crise atual.

"No caso da Argentina e de toda a América Latina, é importante ficarmos de olho no comportamento da economia brasileira. O que ocorrer no Brasil, em meio a esta crise, afetará o restante da região", disse à rádio América, de Buenos Aires.

O analista econômico da emissora TN (Todo Notícias), Marcelo Bonelli, fez observações na mesma linha. "Não podemos dizer que nada acontecerá à economia argentina. Hoje, a Bovespa caiu fortemente e a moeda brasileira sofreu uma tremenda desvalorização (frente ao dólar). Isso não é bom para a Argentina porque pode afetar o comércio entre os dois países".

O Brasil acumula período recorde de superávit na balança comercial com a Argentina. Mas, ao mesmo tempo, o comércio bilateral atinge seu maior nível da história com a expectativa de que feche o ano com mais de US$ 30 bilhões. Ou seja, beneficiando também a economia argentina.

Pagamento de dívida
Orlando Ferreres ressaltou que, dependendo do desenrolar da crise atual, a expansão da economia argentina - que acumulou cifras recordes a partir de 2002 - poderia ser afetada.

"Ninguém sabe ainda o tamanho desta crise e onde e quando ela vai parar", afirmou.

Na sua opinião, no entanto, é positivo e "oportuno" o anúncio de que o governo argentino deverá fechar nesta quinta-feira o acordo para pagamento dos chamados holdouts (aqueles clientes estrangeiros que investiram nos papéis da dívida argentina, mas sofreram com o calote do país em 2001).

"Esse é o melhor momento porque muitos vão aceitar o preço do governo, temendo que a crise mundial piore", disse o especialista.

A Argentina declarou o default (deixou de pagar sua dívida pública privada) em dezembro de 2001. Depois disso, o governo do então presidente Nestor Kirchner (2003-2007), marido de Cristina, reestruturou a dívida, mas aqueles clientes ficaram de fora do acordo financeiro porque não aceitavam a oferta argentina.

Para o economista Claudio Lozano, diante da turbulência atual, o governo deveria "pensar duas vezes" antes de pagar a dívida de quase US$ 7 bilhões com o Clube de Paris, anunciada por Cristina no início do mês.

A Argentina também está em dívida com o clube e por isso enfrenta dificuldades para conseguir financimentos para obras de infra-estrutura. "Seria bom, nesse momento, o governo rever esse pagamento. Com o que está acontecendo no mundo, ninguém vai emprestar dinheiro à Argentina só porque o país pagou o Clube de Paris. Nesse ambiente mundial, melhor seria o governo aplicar estes recursos em planos de produtividade".

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