Quito, 10 jul (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, disse hoje que a intervenção em três canais de televisão privados não representa um ataque à liberdade de expressão, conforme alegam setores da imprensa local e da oposição.

Em um ato público, Correa defendeu a legalidade da intervenção por parte da estatal Agência de Garantia de Depósitos (AGD) em 195 empresas pertencentes ao chamado Grupo Isaias, vinculado ao fechado Filanbanco, que está sob investigação judicial.

Entre estas 195 empresas estão vários meios de comunicação, como as televisões "TC" e "Gamavisión", que atualmente operam com normalidade tanto em sua programação regular quanto em seus noticiários, embora as instalações ainda estejam resguardadas pela Polícia.

"Apropriar-se de bens de banqueiros que quebraram o país (...) é atentar contra liberdade de expressão", disse Correa.

Para o presidente, quem questionar uma medida legal se estará dizendo aos "delinqüentes, narcotraficantes e assaltantes banqueiros: comprem meios de comunicação e nada será fiscalizado, porque será um atentado contra a liberdade de expressão".

A Associação Equatoriana de Editores de Jornais (AEDEP) expressou hoje sua rejeição a possíveis ações contra da liberdade de expressão que pudessem resultar da apreensão dos três canais por parte da AGD.

A AEDEP disse que o Governo tem a "obrigação moral e legal" de garantir a plena vigência dos direitos à livre expressão e difusão do pensamento, que, segundo sua opinião, podem ser atingidos caso "se manipule o conteúdo noticioso, analítico e de opinião desses meios" de comunicação.

A AGD é a entidade encarregada de recuperar o dinheiro que o Estado destinou para sanear bancos intervindos após a crise financeira do país em 1998 e 199, considerada a pior da história nacional.

O Filanbanco está sob investigação financeira, por prejuízos que, segundo a Junta Bancária equatoriana, chegam a US$ 661 milhões. EFE sm/rb/plc

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