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Para analistas, Sarkozy não é mediador relevante no Oriente Médio

Analistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que o presidente francês, Nicolas Sarkozy - que encerrou uma visita de três dias a Israel e aos territórios palestinos - não pode ser considerado um mediador relevante do processo de paz do Oriente Médio. Não existe nenhum outro mediador relevante no conflito entre israelenses e palestinos além dos Estados Unidos, afirma Ezzedine Choukri-Fishere, diretor do departamento árabe-israelense da organização International Crisis Group.

BBC Brasil |

"Como (o ex-primeiro-ministro britânico) Tony Blair tentou antes dele, Sarkozy fez essa viagem, que sem dúvida aumenta seu prestígio internacional, mas não traz quase nenhum resultado prático."
Opinião parecida foi dada pelo professor de política da Universidade israelense de Bar Ilan, Gerald Steinberg.

"Os europeus não são parceiros relevantes nesse processo, eles têm pouco a oferecer", disse ele.

Melhorar as relações
Para o analista israelense, a visita de Sarkozy foi importante para melhorar as relações entre Israel e França.

"Os israelenses se acostumaram a ver, nos últimos anos, os europeus e, principalmente, os franceses com suspeita, como pró-árabes", disse.

"Após o período (do ex-presidente francês Jacques) Chirac, a visita de Sarkozy foi simbólica", disse Steinberg.

Nesta terça-feira, o presidente francês se reuniu com o presidente palestino Mahmoud Abbas, em Belém, na Cisjordânia.

Sarkozy disse que a criação de um Estado palestino era uma "prioridade" para seu país.

"A segurança de Israel é uma questão indiscutível para a França, mas a criação de um Estado viável, democrático e moderno para os palestinos é uma prioridade para a França", afirmou o presidente.

Amizade com Israel
Em 1996, a visita de Chirac à Cidade Velha de Jerusalém, território disputado por palestinos e israelenses, foi marcada por um incidente diplomático captado por câmeras de TV, em que o presidente se irritou com agentes de segurança israelenses que tentavam manter palestinos afastados.

Na ocasião, Chirac ameaçou encerrar prematuramente a visita, em uma atitude que foi considerada por setores israelenses como um exemplo de postura pró-árabe. A visita de Sarkozy é a primeira de um chefe de Estado francês desde então.

Falando ao parlamento israelense, na segunda-feira, Sarkozy reafirmou a amizade entre os dois países e se prontificou a defender Israel de qualquer ataque externo.

Por outro lado, criticou a ampliação dos assentamentos judaicos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

As críticas aos assentamentos foram consideradas o ponto alto da visita do líder francês pelo analista palestino Mahdi Abdul Hadi, Diretor da Sociedade Acadêmica Palestina para o Estudo de Relações Internacionais.

"As críticas ajudam a manter os pontos fundamentais da causa palestina na mídia. Quanto à importância que Sarkozy terá no processo, ainda é prematuro dizer", afirma ele.

Estratégia
Para Stephane Montclaire, professor de Ciências Políticas da Universidade de Sorbonne, na França, a estratégia de Sarkozy é construir laços fortes com Israel para poder ter alguma influência nas políticas do país.

"Para isso, é necessária uma mudança na política externa da França, porque desde Charles de Gaulle (ex-presidente francês), a França vem apoiando mais os árabes", disse ele.

Para o analista, ter um presidente simpático a Israel e com boas relações com os países árabes pode aumentar as chances de a França ser uma mediadora de relevância na região.

"Especialmente nos próximos meses, quando o país assumir a presidência rotativa da União Européia (em julho) e antes de os Estados Unidos elegerem seu novo presidente", diz.

"Nós devemos ver a França tentando ocupar um espaço maior na diplomacia internacional", afirma Montclaire.

Líbano, Síria e Irã
Após os conflitos entre militares israelenses e o Hezbollah, de 2006, a França passou a contribuir com 1,8 mil soldados em missões de paz na fronteira entre Israel e o Líbano.

A França também é favorável às sanções contra o Irã como forma de pressionar o país a suspender seu programa de enriquecimento de urânio.

O governo francês sinalizou ainda que pode ajudar a diminuir o isolamento internacional da Síria se o país se distanciar do governo iraniano, considerado por Israel seu maior inimigo.

"Se Sarkozy quer contribuir mais para a paz do Oriente Médio, a melhor forma é ajudando Israel a construir laços com o Líbano e a Síria, nações nas quais a França tem influência histórica significativa", disse o analista Davir Calev Ben no jornal israelense Jerusalem Post.

"Mas se ele deseja convencer Israel que a França merece a confiança que está pedindo, o teste vai ser mobilizar os europeus a aplicarem medidas mais fortes, diplomáticas e econômicas, para conter as ambições nucleares iranianas", diz ele.

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