Para analistas, Obama modera declarações para fugir de uma imagem de fraqueza

Washington, 22 mai (EFE).- O senador democrata Barack Obama fez declarações mais moderadas em relação a afirmações anteriores de que estaria disposto a se reunir incondicionalmente com Irã, Coréia do Norte e Cuba, obedecendo agora a uma estratégia que, segundo analistas políticos, procura distanciá-lo de uma imagem de fraqueza.

EFE |

As declarações de Obama ganharam destaque especial em vista de sua possível presença amanhã na Flórida na sede da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA) para explicar sua estratégia para a América Latina e Cuba.

O debate sobre política externa entre os aspirantes à Casa Branca está em foco desde que, na semana passada, o presidente George W.

Bush, criticou, durante sua viagem pelo Oriente Médio, os que querem dialogar com os ditadores.

Bush não fez referência direta à Obama, mas o senador por Illinois entendeu que se direcionavam para ele e rebateu as críticas assinalando que a Casa Branca o acusava injustamente de ser conciliador com os regimes ditatoriais.

"Acho que Obama foi um pouco ingênuo ao dizer que se reunirá com alguns ditadores sem impor condições", disse à Agência Efe Erwin Hargrove, analista político da Universidade Vanderbilt, em Memphis.

"O que deveria ter dito é que está disposto a falar com os chefes de Estado depois da escolha de um local considerável, que o terreno esteja pronto, e que existam razões para o início de um diálogo", disse Hargrove.

Na terça-feira, em entrevista à rede de TV "ABC", Obama disse que mantinha sua posição de que "incondicionalmente" iria se reunir com Irã, Venezuela e Coréia do Norte.

Para Obama, a postura da Casa Branca de não falar com o Irã até que o país asiático não concorde em fazer tudo o que quer Washington "não é diplomática".

Para Lionel Ingram, um coronel reformado que dá aulas na Universidade de New Hampshire (Massachusetts), explicou à Efe que o senador por Illinois corre o risco de passar uma imagem de "fraqueza" em relação à política externa.

"Ele tem razão ao afirmar que nem (o presidente venezuelano) Hugo Chávez nem (o líder) cubano Raúl Castro representam uma ameaça verdadeiramente real para EUA, mas precisa deixar claro que vai ser muito cauteloso em suas relações diplomáticas", disse.

A postura de Obama recebeu críticas também do candidato republicano à Casa Branca. John McCain que diz que Obama demonstra "ingenuidade, falta de experiência e pouco julgamento", ao querer sentar-se com indivíduos como o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que, segundo o republicano, defende a extinção de Israel. EFE tb/rr/fr

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