Para analistas Israel e Hamas precisam da trégua para uma solução política

Após um ano de enfrentamentos, Israel e o movimento islamita palestino Hamas necessitam de um período de calma na Faixa de Gaza, afirmaram nesta quinta-feira analistas do tema, no início de um cessar-fogo cuja duração parece duvidosa.

AFP |

"Israel compreendeu que o Hamas pode lançar foguetes, e o Hamas entendeu que Israel pode continuar matando palestinos. Um ano disso foi suficiente", afirma Jihad Hamad, cientista político palestino da Universidade Al-Ahzar de Gaza.

"O ciclo de violência convenceu a ambas as partes de que não havia uma solução militar. Era preciso uma solução política", acrescentou.

As duas partes aceitaram uma trégua após meses de negociações realizadas graças à mediação do Egito. O cessar-fogo deve interromper, pelo momento, a violência que já custou a vida de centenas de pessoas desde que o Hamas chegou ao poder na Faixa de Gaza, há cerca de um ano.

Contudo, esse movimento islamita continua preconizando a destruição de Israel, enquanto que o Estado Hebreu preparou planos para realizar uma grande operação militar caso a trégua fracasse.

Vários analistas consideram que os disparos de foguete para o sul de Israel, assim como a crise provocada pelas suspeitas de corrupção que atingem o premier israelense, Ehud Olmert, obrigaram o Estado Hebreu a aceitar o período de trégua.

"Compreendeu-se que a continuação dos tiros de foguete contra Sderot (cidade do sul de Israel) poderia ter um preço político em momentos em que alguns dirigentes lutam por sua sobrevivência política", destacou Nicholas Pelham, analista do International Crisis Group.

Por sua vez, o Hamas necessitava da suspensão do bloqueio imposto por Israel contra a Faixa de Gaza, que destruiu a economia do território.

Contudo, a trégua só irá durar com a manutenção dos progressos nas negociações sobre duas questões vitais: o ponto de passagem de Rafah, que une a Faixa de Gaza com o Egito, atualmente fechada, e a liberação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado há dois anos e prisioneiro em terras palestinas.

"A grande questão consiste em saber se o acordo de trégua irá permitir o levantamento total do bloqueio a Gaza. Não acredito que isso irá ocorrer", disse Naju Sharab, analista político de Gaza.

O Hamas exige a reabertura de Rafah, única passagem ao mundo exterior que não está sob controle israelense.

Por sua vez, Israel insiste que essa abertura seja feita conforme os termos de um acordo de 2005 concluído com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que previa a presença de controladores internacionais e um sistema de vigilância com vídeo, controlado a distância pelo Estado Hebreu - tópicos que o Hamas é contra.

Se a trégua conseguir reduzir a violência, poderá ajudar em uma reconciliação entre o Fatah - de Abbas - e o Hamas.

"Para Abbas será mais fácil se reconciliar com o Hamas se Israel abrir caminho", assinala Nicholas Pelham.

Quanto a Israel, o respeito à trégua poderá depender da liberação do soldado Gilad Shalit, mas o Hamas afirma que o destino do refém não foi discutido no acordo.

"Para nossos dirigentes políticos, poder mostrar progressos na questão Shalit possui uma importância crucial a nível interior", destacou Alex Fishman, especialista em questões de segurança do jornal israelense Yediot Aharonot.

jk/fb

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