Para analistas, impacto de Olimpíada na cidade-sede vai pesar em escolha

O impacto que os Jogos Olímpicos de 2016 terão no futuro da cidade-sede deve ser um dos fatores determinantes na votação de sexta-feira dos delegados do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a escolha entre Rio de Janeiro, Chicago, Madri e Tóquio, segundo especialistas entrevistados pela BBC Brasil. Nas últimas votações, como a que escolheu Londres para sediar os Jogos de 2012, o COI mostrou que o legado tem se tornado cada vez mais importante, disse Andrew Thornley, professor de planejamento urbano e especialista em legado olímpico da London School of Economics.

BBC Brasil |

"O que vai valer na decisão desta sexta-feira não é apenas como a cidade pretende realizar as duas semanas de Olimpíada, mas sim como ela planeja se beneficiar a longo prazo."
Entre esses benefícios, segundo Thornley, estariam não só a melhoria da infraestrutura e dos transportes, mas também a renovação de áreas decadentes, a capacidade de atrair mais negócios e de inspirar as novas gerações a praticar esportes.

Para ele, nas candidaturas onde o papel do governo é maior, o legado para a população também é maior. "Foi o que ocorreu em Barcelona, sede da Olimpíada de 1992, onde o evento impulsionou a construção de um anel viário, a melhoria dos transportes públicos e a renovação de uma área que estava totalmente abandonada", explicou.

"Já as cidades americanas em geral contam com a maior parte do apoio vindo da iniciativa privada, o que significa que os terrenos e as obras voltam para o setor privado depois dos Jogos."
Comunidade
Para Terri Byers, professora de Administração Esportiva da Universidade de Coventry e co-diretora do Centro dos Negócios Internacionais do Esporte (CIBS, na sigla em inglês), o apoio dos governos é importante mas o sucesso dos Jogos depende hoje em dia de se levar em conta também a opinião de todos os grupos envolvidos.

"Para uma Olimpíada dar certo, ela não pode depender exclusivamente do que os políticos ou os empresários querem. Os cidadãos, os moradores das áreas que serão afetadas, os grupo de deficientes físicos... todos eles têm de ser ouvidos", explica.

Segundo Byers, Atenas é um exemplo disso. "As autoridades não pensaram o que fazer com os estádios e ginásios depois dos Jogos, não ouviram a população. Hoje a maioria deles está vazia."
"Pensar nas pessoas e no legado foi parte importantíssima da proposta vitoriosa de Londres", lembra a professora.

Política
Segundo os analistas, Londres acabou inspirando as cidades concorrentes para 2016 também pela estratégia que adotou para conseguir os votos dos membros do COI.

Na decisão para 2012, há quatro anos, o então primeiro-ministro britânico Tony Blair foi pessoalmente a Cingapura.

"Blair chegou dias antes e manteve encontros bem discretos com os membros do Comitê", conta Gordon Farquhar, especialista em Olimpíadas da Radio 5 da BBC. "A presença dele lá ajudou muito Londres a ganhar. E agora Vladimir Putin fez o mesmo por Sochi, na Rússia, que acabou sendo escolhida a sede dos Jogos de Inverno em 2014."
Nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se encontrar com membros do COI em um hotel de Copenhague.

Na sexta-feira, ele faz um discurso na apresentação da candidatura do Rio.

Ainda na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve vir à capital dinamarquesa apenas para participar da apresentação de Chicago.

O rei Juan Carlos, da Espanha, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, e o premiê do Japão, Yukio Hatoyama, também estão em Copenhague para apoiar Madri e Tóquio, respectivamente.

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