LONDRES (Reuters) - O número de países potencialmente com armas nucleares pode mais do que dobrar nos próximos anos, a menos que as principais potências tomem decisões radicais para o desarmamento, disse nesta sexta-feira o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), um órgão da ONU. Mohamed ElBaradei disse que a ameaça da proliferação era particularmente grande no Oriente Médio, e que o regime internacional designado para limitar a expansão de armas nucleares corre risco de fracassar, informou o jornal Guardian.

"Qualquer regime... deve ter um senso de integridade e justiça, e isto não está acontecendo", disse ElBaradei, diretor-geral da AIEA, em uma entrevista com o jornal.

Ele previu que a próxima onda de proliferação envolverá "estados virtualmente nucleares", que já poderiam produzir plutônio ou urânio altamente enriquecido e teriam o conhecimento para produzir ogivas de mísseis, mas ainda estão a alguns passos de montar uma arma.

Estes países podem continuar tecnicamente de acordo com o pacto de não-proliferação nuclear, mas estarão a poucos meses de poder usar as armas, disse ele.

"Este é o fenômeno que nós vemos agora e o que as pessoas estão preocupadas no Irã", disse. "E este fenômeno vai muito além do Irã. Em breve... teremos nove países com armas nucleares e provavelmente outros 10 ou 20 países virtualmente com armas."

O Oriente Médio é uma "bomba iminente" porque as pessoas se sentem totalmente reprimidas pelos seus próprios governos e injustamente ameaçadas pelo resto do mundo, disse ElBaradei, que vai se aposentar em novembro após mais de 11 anos no comando da AIEA.

Não será uma surpresa ver "mais e mais grupos extremistas tentando possuir armas nucleares ou materiais nucleares", acrescentou.

A aquisição de armas nucleares pelos grupos terroristas é a maior ameaça que o mundo está enfrentando, disse ElBaradei, destacando o crescimento do Taliban no Paquistão: "Nós estamos preocupados porque há uma guerra em um país com armas nucleares."

(Reportagem de David Holmes)

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