Para acalmar Peru, Humala se cerca de técnicos e moderados

Um dia após queda recorde de Bolsa, presidente eleito nomeia equipe de 'transição'; Lula diz que desconfiança se dissipará

iG São Paulo |

Reuters
Humala faz o sinal da vitória após declarar-se vencedor das eleições para presidente no Peru (05/06)
O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, fez um apelo "à calma" após a queda histórica de segunda-feira da Bolsa de Valores de Lima após sua eleição, no domingo, e nomeou uma equipe de "transição" composta de economistas e especialistas moderados para tranquilizar os temores sobre uma virada radical à esquerda.

"Peço ao país manter a calma; faremos o melhor possível e continuaremos a trabalhar", declarou Humala ao sair de sua residência, em Lima. Sua futura vice-presidente, Marisol Espinoza, anunciou uma lista de 20 integrantes de uma comissão encarregada de "organizar o processo de transição" até a posse de Humala, em 28 de julho.

Segundo fontes da coalizão de Humala, Ganha Peru, o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva cumprimentou o governante eleito e declarou que a desconfiança gerada entre os empresários por sua vitória acabará se dissipando, da mesma forma que ocorreu no Brasil após sua eleição.

Oscar Dancourt, ex-chefe do Banco Central, Kurt Burneo, ex-vice-ministro da Economia do ex-presidente centrista Alejandro Toledo (2001-2006), e Carlos Herrera, ex-ministro da Energia e de Minas, figuram na equipe de personalidades respeitadas, que enviam, ao mesmo tempo, um sinal tranquilizante aos mercados.


Nesta terça-feira, a Bolsa de Lima abriu em alta de 1,87%, ganhando mesmo 6,89% durante o pregão, após a queda mais forte da história registrada na véspera (-12,51%). Burneo, um economista de 50 anos que poderá ser ministro da pasta, subestimou a situação na bolsa, estimando que "nenhum elemento justificava a situação do ponto de vista macroeconômico", e "o temor não provém do exterior, mas do próprio Peru", dos adversários de Humala.

"É o momento de comprar papéis artificialmente em baixa" das empresas mineradoras, em particular produtoras de metais (ouro, prata, estanho, cobre), sugeriu na televisão Canal 5. Ele afirmou que Humala representava para muitos um salto no escuro, mas que sua equipe econômica é, em grande parte, a que trabalhava com Toledo, um presidente bem-visto pelos mercados internacionais.

"Nada, absolutamente nada" mudará os fundamentos macroeconômicos com Humala, "com exceção de um destaque maior nos programas sociais", afirmou Burneo. Ele defendeu o projeto de aumento das taxações dos lucros dos grupos mineradores, motores do crescimento dos dez últimos anos (5% em média), o que considera "medida justa em razão das circunstâncias extraordinárias" dos preços historicamente elevados dos metais.

O futuro vice-presidente Omar Chehade citou vários candidatos ao ministério da economia: Dancourt, Burneo, Herrera ou Luis Arias, ex-diretor de Impostos. Além dos ligados a Toledo, a equipe de "transição" compreende veteranos do governo interino de Valentin Paniagua (2000-2001), um centrista respeitado que tranquilizou o Peru após a queda do presidente Alberto Fujimori, atualmente preso.

Há também na equipe o general Ketin Vidal, ministro do Interior de Paniagua, mas principalmente o ex-chefe da polícia antiterrorista, célebre por ter dirigido a prisão, em 1992, do chefão histórico da guerrilha do Sendero Luminoso, Abimael Guzman.

Segundo os mais recentes resultados, após a contagem de 95,5% dos votos, Humala, de 48 anos, foi eleito com 51,6% dos votos, enquanto sua rival de direita Keiko Fujimori, filha do ex-chefe de Estado que cumpre pena de 25 anos de prisão, alcançou contra 48,4%.

Humala venceu em 19 das 25 regiões do país nas eleições de domingo, indicou o último dado oficial publicado nesta terça-feira pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

*Com AFP e EFE

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