Paquistão vincula Taleban a ataques em Lahore

Ação contra mesquitas de seita minoritária deixaram 93 mortos em Lahore na sexta-feira

iG São Paulo |

Militantes que atacaram na sexta-feira uma seita minoritária , deixando 93 mortos em Lahore, no leste do país, pertenciam à milícia islâmica Taleban e foram treinados em uma região de fronteira onde os EUA querem que o governo paquistanês lance uma operação, disse a polícia neste sábado.

A revelação poderia ajudar Washington a persuadir o Paquistão a combater os grupos extremistas no Waziristão do Norte. Até agora, o Paquistão tem resistido, justificando em parte que seu Exército já está pressionado por realizar operações em outros lugares.

Os ataques armados foram lançados contra duas mesquitas em Lahore , que tem sido palco de vários ataques recentes de militantes. Os atacantes abriram fogo contra os fiéis durante a oração de sexta-feira, lançaram granadas e um deles detonou seu cinturão de explosivos.

Os militantes estavam armados com rifles AK-47, pistolas, granadas e possivelmente outros explosivos, segundo relatos. Um militante foi morto e outros dois presos, de acordo com a polícia.

A maioria dos corpos foi encontrada na mesquita do bairro popular de Garhi Shahu, segundo informou Sajjad Bhutta, chefe da administração da municipalidade de Lahore. O outro ataque foi contra uma mesquita do elegante bairro de Model Town.

Nos últimos três anos, o Paquistão foi cenário de uma onda de quase 400 atentados - em sua maioria suicidas - e de ataques de comandos, realizados principalmente por membros da milícia islâmica Taleban aliada da rede terrorista Al-Qaeda. As ações deixaram mais de 3,3 mil mortos em todo o país.

Seita minoritária

As mesquitas atacadas são da seita ahmadi, movimento religioso fundado no final do século 19 na Índia. Os ahmadi se consideram muçulmanos e seguem os ensinamentos do Alcorão, mas têm crenças distintas e, por isso, são tidos oficialmente, pelo menos no Paquistão, como não-muçulmanos.

Seus seguidores acreditam que o fundador da seita, Mirza Ghulam Ahmad, que morreu em 1908, era um profeta. Essa crença vai contra os princípios da maioria dos muçulmanos, que acreditam que Maomé, que morreu em 632, foi o último profeta. No passado, os ahmadis foram alvo de ataques de grupos radicais sunitas.

A minoria ahmadi foi declarada um grupo não-muçulmano no país em 1974 e submetida a uma série de restrições. A seita islâmica foi fundada em 1889.

* Com AP, AFP e BBC Brasil

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