Paquistão temeu ataque da Índia após Mumbai, diz diplomata

Um dos mais importantes diplomatas paquistaneses revelou em uma entrevista à BBC que o governo do seu país acreditava que a Índia estivesse planejando um ataque contra o Paquistão logo após os ataques extremistas em Mumbai, na semana passada. Wajid Shamsul Hassan, alto comissário paquistanês em Londres, disse ter recebido indicações de que a Índia pretendia dar ao Paquistão uma lição por causa dos ataques, que deixaram pelo menos 172 mortos.

BBC Brasil |

A Índia acusa o Paquistão de ter abrigado os autores do ataque e de ter responsabilidade pelo ocorrido. Apesar de alguns dos extremistas aparentemente terem ligações com o Paquistão, mas o país nega qualquer culpa pelo que aconteceu.

"Isso é o que nos disseram nossos amigos, que poderia haver um ataque rápido (indiano) em algumas das áreas em que eles suspeitam que existam campos de treinamento (de extremistas) ou algo do tipo", disse o diplomata, sem revelar suas fontes.

"Havia evidências circunstanciais de que a Índia iria fazer um ataque rápido contra o Paquistão para lhe ensinar uma lição."
Hassan disse que alertou o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, sobre o risco, e o Paquistão em seguida manifestou sua preocupação a autoridades americanas e britânicas de alto escalão, que teriam intervido para acalmar a situação.

Movimento de tropas
O diplomata disse que não acredita que os dois países, ambas potências nucleares, pudessem de fato ter iniciado um conflito por causa do que ocorreu em Mumbai - apesar de já terem travado pelo três guerras um contra o outro.

"Nós não teríamos ido, e tenho certeza de que a Índia não teria ido à guerra", disse. "Entretanto, por outro lado, como teríamos reagido? Só dá para imaginar. Nós temos um país menor, temos que nos defender."
A Índia não reagiu publicamente aos comentários de Hassan.

Nesta semana, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, esteve na região em uma ofensiva diplomática para apaziguar os ânimos dos dois lados.

Em visitas a Nova Déli e Islamabad, a chefe da diplomacia dos Estados Unidos pediu aos dois lados que mostrassem moderação.

Apesar da retórica paquistanesa e indiana, até o momento não há sinais práticos que indiquem que um conflito entre os dois países seria iminente - como, por exemplo, movimentação de tropas na região da fronteira.

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