Paquistão sofre com mais enchentes e ajuda supera US$ 800 milhões

A pior enchente das últimas décadas destruiu vilarejos, pontes e estradas, deixando mais de 4 milhões de desabrigados

iG São Paulo |

Mais de US$ 800 milhões foram destinados às vítimas das enchentes no Paquistão, disse o ministro das Relações Exteriores paquistanês neste domingo. Enquanto isso, milhares no sul do país temem que a destruição aumente.

AP
Paquistaneses atingidos pelas enchentes tentam receber alimento
A cheia dos rios na Província de Sindh ameaça causar mais destruição no país, uma catástrofe que já minou a popularidade do governo e pode ajudar militantes islâmicos a ganhar o apoio da população. O ministro Shah Mehmood Qureshi agradeceu os US$ 815,6 milhões em ajuda internacional destinados a aliviar o sofrimento da população depois de um dos piores desastres da história do Paquistão.

"Numa situação como essa, quando o Ocidente, a Europa e a América estão numa recessão, acho muito encorajador esse tipo de solidariedade pelo Paquistão ," disse em Islamabad.

A pior enchente das últimas décadas destruiu vilarejos, pontes e estradas, e deixou mais de 1,5 mil mortos. Além disso, as cheias afetaram mais de 20 milhões, deixando mais de 4 milhões desabrigados e criando a preocupação de que militantes islâmicos possam explorar a miséria e o caos para angariar o apoio da população.

Saleh Farooqui, diretor-geral da autoridade de administração de desastres em Sindh, disse que as enchentes já atingiram quatro distritos, incluindo áreas urbanas, nas últimas 24 horas, forçando 200 mil pessoas a buscar refúgio em áreas mais altas, onde as águas não chegam. "A região sul de Sindh é agora nosso foco. Já redirecionamos recursos de resgate para a área," disse.

Autoridades esperam que as águas recuem em todo o país nas próximas semanas. Mas, quando isso acontecer, milhões de paquistaneses solicitarão ao governo que rapidamente providencie casas e compense suas perdas.

O governo tem sido acusado de agir vagarosamente, e organizações de caridade islâmicas - algumas suspeitas de estar ligadas a organizações terroristas - estão atuando rapidamente para ajudar a população paquistanesa, que já está frustrada com o histórico de seus líderes em relação à segurança, à pobreza e à falta de energia elétrica crônica.

Papel do Exército

O Exército paquistanês participa das atividades de emergência e, segundo os analistas, ganhou apoio popular desde que começaram no final de julho as inundações no país. As Forças Armadas mobilizaram cerca de 60 mil soldados em todo o território nacional e sua gestão da crise está sendo mais popular que a do governo, alvo de inúmeras críticas sobretudo pela viagem internacional do presidente do país, Asif Ali Zardari, durante os primeiros dias da tragédia.

"O Exército está se tornando mais popular nessa crise por suas ações e pela inação do governo", disse o analista político paquistanês Humayun Khan, uma opinião compartilhada por fontes militares que pediram anonimato.

As Forças Armadas, sob comando do general Ashfaq Pervez Kiyani, já haviam melhorado notavelmente sua imagem após as últimas operações contra a insurgência Taleban no conflituoso noroeste, sustentou Khan. "O Exército não espera o pedido do Executivo para agir. Simplesmente intervém. E deixa clara a independência da instituição. Tem seus próprios acampamentos de assistência para receber doações, com os quais transmite a mensagem de que não se deve confiar no governo, mas nele", refletiu.

O governista Partido Popular do Paquistão (PPP), de Zardari, guarda uma longa história de divergências com o Exército, que controlou durante décadas o poder político, às vezes com punho de ferro. O governo, durante essa crise, foi criticado não só por causa da ausência de Zardari, mas pelas disputas entre as administrações provinciais e o governo central sobre a gestão da catástrofe e os fundos de ajuda.

Por sua vez, o primeiro-ministro Yousuf Raza Gillani foi acusado por vários meios de comunicação paquistanesas de forjar visitas a desabrigados, que supostamente seriam atores, para assim evitar um ambiente adverso.

"Nos próximos meses, haverá uma grande crise política. A ineficácia na gestão das enchentes será um agravante numa situação em que vão surgir tensões por assuntos judiciais, economia, corrupção e desgoverno", ressaltou Khan. No entanto, ele, assim como outros analistas consultados, descartou a possibilidade de um golpe de Estado em curto prazo. "Se a situação de segurança piorar muito, há uma pequena possibilidade de uma mudança de governo controlado pelo Exército", afirmou.

*Com Reuters e EFE

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