Paquistão se recusa a entregar suspeitos de ataques na Índia

O Paquistão afirmou nesta terça-feira que não vai entregar os militantes detidos depois dos ataques contra alvos em Mumbai, na Índia, no mês passado. Forças de segurança paquistanesas lançaram uma operação contra o grupo militante Lashkar-e-Taiba, que é acusado pelos Estados Unidos e pela Índia de ser o responsável pelos ataques.

BBC Brasil |

Em uma entrevista ao canal indiano CNN-IBN, o ministro da Defesa paquistanês, Ahmad Mukhtar, questionou os dois países.

"Estados Unidos e Índia afirmam que têm muitas provas, mas por que escondem isso de nós?", questionou o ministro.

Na mesma entrevista, Mukhtar revelou quando os mais importantes militantes - o fundador do grupo Jaish-e-Mohammad, Masood Azhar, e o comandante do grupo Lashkar-e-Taiba, Zaki-ur-Rehman Lakhvi - foram detidos.

"Lakhvi foi detido ontem (segunda-feira)", afirmou. "Azhar também foi detido."

Índia e Paquistão não têm tratado de extradição.

Os ataques ocorridos no final de novembro contra a capital financeira indiana atingiram vários alvos: dois hotéis de luxo, a principal estação ferroviária, um hospital, um centro judaico, um café e outros locais.

Mais de 170 pessoas foram mortas. Entre os dez militantes que realizaram os ataques, apenas um sobreviveu e está detido.

Desde então, a tensão entre Índia e Paquistão apenas aumentou. O governo em Islamabad nega qualquer envolvimento com os ataques.

Fachada

O ministro do Exterior paquistanês, Shah Mehmood Qereshi, confirmou que 16 pessoas foram detidas até o momento para interrogatórios a respeito dos ataques contra Mumbai.

Segundo as informações, a polícia paquistanesa também teria ordenado o fechamento de alguns escritórios usados por uma organização de caridade islamica e que seria uma fachada para o Lashkar-e-Taiba.

O governo da Índia não fez comentários a respeito da operação, mas o governo dos Estados Unidos elogiou a operação na segunda-feira e destacou a importância de se evitar mais ataques.

Qereshi reafirmou que os suspeitos não serão entregues à Índia e que, se for necessário, ele viajará até ao país vizinho para esclarecer a posição paquistanesa. O ministro acrescentou que o país está "pronto" para se defender.

"Se a guerra nos for imposta, estaremos totalmente preparados para defender o Paquistão", disse. "Queremos enviar a mensagem clara de que os limites de defesa do Paquistão, a geografia do Paquistão e a ideologia do Paquistão são de nossa responsabilidade. "

"Não vamos tolerar qualquer violação disso. A mensagem que queremos transmitir é muito clara: queremos paz e amizade", acrescentou. "Queremos estabilidade na região. Mas nosso desejo de paz não deve ser construído como uma fraqueza do Paquistão."

O governo do Paquistão já fez uma grande operação contra o grupo Lashkar-e-Taiba em 2002, proibindo o grupo e desmobilizando seus militantes.

Mas o Exército e os serviços secretos deram apoio ao grupo para lutar contra o governo indiano na Caxemira e poucos duvidam que o Exército tenha mantido militantes na reserva.

Analistas afirmam que, enquanto o Exército continuar com a política de usar os militantes para batalhas regionais, as autoridades de segurança vão relutar no fechamento do Lashkar-e-Taiba.

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