Paquistão se mobiliza para ajudar refugiados

Com ajuda financeira americana, o Paquistão se mobiliza para administrar a maré de 1,5 milhão de refugiados que foram obrigados a deixar suas casas para escapar da ofensiva lançada há um mês contra as milícias talibãs no noroeste do país.

AFP |

Islamabad ordenou a ofensiva em abril, pressionada pelos Estados Unidos, para acabar com os militantes no noroeste do país - que, segundo Washington, ameaçam a existência do Paquistão e representam a maior ameaça terrorista para o Ocidente hoje.

À medida que o conflito continua sem perspectiva de um fim breve, cresce a preocupação sobre o que fazer com os refugiados, em um movimento que as organizações humanitárias já identificaram como o maior deslocamento de uma população desde a separação do Paquistão da Índia em 1947.

Para colaborar e tentar amenizar a situação, a secretária de Estado americana Hillary Clinton anunciou na terça-feira a liberação de uma ajuda de urgência de 100 milhões de dólares para a compra de itens de primeira necessidade para os refugiados, como carne, água, barracas, rádios e geradores.

Parte do dinheiro será destinado à compra de trigo paquistanês, numa tentativa de reativar a economia local.

Hillary também saudou o que descrevey como "uma mudança nacional de atitude" em relação aos talibãs no país, elogiando a ofensiva militar contra os extremistas.

Dezenas de milhares de pessoas já estão vivendo nos campos de refugiados administrados pelo governo, em barracas de campanha, sob o calor asfixiante do verão paquistanês e em condições sanitárias precárias, furiosos com a ofensiva que, dizem, destruiu suas casas e plantações.

Outras centenas de milhares se instalaram na casa de familiares em outros pontos do território, uma situação que complica o esforço dos organismos de ajuda internacional para auxiliar o grande número de refugiados.

"Nem nós, nem o governo esperávamos esta quantidade de refugiados. O governo não está fazendo todo o possível para ajudar as famílias", afirmou Rienk Van Vezlen, diretor de comunicações regionais da ONG World Vision.

"Há muitas necessidades a longo prazo. Acho que teremos que esperar pelo menos quatro ou cinco semanas, se não mais (antes que a crise termine)", acrescentou.

O Paquistão nomeou um respeitado militar, o general Nadeem Ahmad, para coordenar a resposta do país à crise. O primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani, pediu a convocação de uma conferência internacional de doadores em Islamabad.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, se reuniu com seu governo e altos funcionários da ONU nesta quarta-feira para analisar as necessidades de ajuda e reconstrução.

Para Gilani, o Paquistão está lutando contra os talibãs em duas frentes: militarmente, nas montanhas, e nos campos de refugiados, combatendo a crise humanitária.

cm-mmg/ap/fp

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