Ex-presidente, no exílio, é acusado pelo assassinato de ex-primeira ministra do país

O tribunal antiterrorista que julga o caso do assassinato da ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto emitiu neste sábado uma nova ordem de prisão contra o ex-presidente Pervez Musharraf , que está no exílio. A  corte antiterrorista de Rawalpindi, cidade próxima a Islamabad, não admite pedidos de liberdade com pagamento de fiança e buscará uma forma de a notificação chegar ao ex-chefe do Exército em seu domicílio de Londres.

Ex-primeira ministra paquistanesa Benazir Bhutto foi morta em 27 de dezembro de 2007
EFE
Ex-primeira ministra paquistanesa Benazir Bhutto foi morta em 27 de dezembro de 2007
Como era esperado, Musharraf não compareceu à corte para a qual foi convocado no Paquistão neste sábado. As audiências do caso foram adiadas para 5 de março. A folha de acusações apresentada pela Agência de Investigação Federal (FIA) descreve Musharraf como "fugitivo" e o acusa de não ter protegido a vida de Benazir Bhutto, que morreu em um ataque suicida perpetrado em Rawalpindi em 27 de dezembro de 2007.

O partido fundado no Paquistão por Musharraf, quem em várias ocasiões deixou clara sua intenção de voltar ao país e concorrer às próximas eleições, defende que a ordem atende à vontade de rivais políticos que não querem seu retorno.

Um ex-chefe da Polícia de Rawalpindi e outro alto cargo policial estão presos desde dezembro, acusados de negligência no atentado que matou a líder do Partido Popular (PPP). A missão da ONU que investigou a morte de Bhutto acusou em abril de 2010 o regime de Musharraf de ter boicotado a investigação do caso de forma "deliberada". Como exemplo, citou a limpeza no local do crime feita com água em abundância, de mangueira, que apagou qualquer vestígio que pudesse levar a autoria do crime.

A equipe da agência britânica Scotland Yard, que chegou a Islamabad após o atentado, concluiu que Bhutto morreu atingida na cabeça depois de um suicida ter explodido a carga que levava ao fim de um comício em Rawalpindi. O governo paquistanês acusou o líder dos talibãs paquistaneses, o já falecido Baitullah Mehsud – cujo nome também aparece na acusação formulada pela FIA –, de ter planejado o ataque.

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