Paquistão rejeita lançar ofensivas contra o Taleban em 2010

Em um desafio a Washington, o Exército do Paquistão anunciou nesta quinta-feira que não lançará ofensivas contra os militantes da milícia islâmica Taleban em 2010. Segundo o porta-voz do Exército, Athar Abbas, as forças militares estão no limite de sua capacidade e não há planos de novas operações durante os próximos 12 meses.

iG São Paulo |

O anúncio foi feito no dia em que o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, chegou ao país para uma visita-surpresa, com o objetivo de aprofundar laços e convencer o aliado a combater todos os militantes em atuação no país. Essa é a primeira vez que Gates viaja ao Paquistão desde que Obama assumiu o poder, há um ano.

AFP
Gates (à esq.) reúne-se com o chefe do Exército paquistanês, Ashfaq Kayani

Gates (à esq.) e o chefe do Exército paquistanês, Ashfaq Kayani

Os EUA gostariam que o Paquistão expandisse suas ações contra o grupo, que cruza a fronteira para lançar ataques no vizinho Afeganistão.

Reforço militar

A viagem de um dia ocorre num momento crucial do combate à Al-Qaeda e ao Taleban, com os EUA planejando enviar mais 30 mil soldados ao Afeganistão. Islamabad teme que esse reforço militar leve a um aumento da violência no seu lado da fronteira.
Gates afirmou que tentará convencer os céticos paquistaneses de que Washington os vê como aliados "de longo prazo".

Islamabad tem realizado grandes ofensivas contra o Taleban no Paquistão, responsáveis por frequentes ataques a civis e militares, mas resiste à pressão dos EUA para erradir a presença do grupo nas áreas tribais ao longo da fronteira, de onde preparam os ataques que são lançados no país vizinho.

Em 2009, o Exército paquistanês lançou grandes ofensivas terrestres contra redutos taleban no Vale do Swat, em abril, e no Waziristão do Sul, em outubro. Ambas regiões ficam no noroeste do país. Os militantes retaliaram com uma onda de ataques suicidas que deixaram centenas de mortos em todo o país.

Por causa dessas ações, o Paquistão argumenta já estar muito ocupado com o Taleban paquistanês para abrir novas frentes contra o Taleban que atua no Afeganistão. "Não vamos conduzir novas grandes operações nos próximos 12 meses, mas obviamente continuaremos atuando no Vale do Swat e no Waziristão do Sul", afirmou Abbas.

Mas, segundo analistas, o Paquistão na verdade considera o Taleban afegão uma ferramenta para conter a crescente influência da rival Índia no Afeganistão, além de considerá-lo um possível aliado no Afeganistão caso as forças dos EUA se retirem do país. Há informações de que importantes membros do grupo têm vínculos com o serviço de inteligência paquistanês.

Em comentário publicado num jornal do Paquistão, o secretário de Defesa americano afirmou ser contraproducente estabelecer uma distinção entre o Taleban paquistanês e seus aliados afegãos é contraproducente, afirmando ser necessário combater todas as facções.

"Não se pode ignorar uma parte desse câncer e fingir que ele não terá algum impacto mais perto de casa," disse Gates no trajeto entre Índia e Paquistão.

Islamabad e Washington são aliados há anos, mas as relações foram estremecidas pela pressão dos EUA para que o Paquistão se empenhe mais em impedir que os militantes cruzem a fronteira para lutar no Afeganistão.

*Com informações da Reuters e BBC

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