O primeiro-ministro do Paquistão, Yusuf Raza Gilani, afirmou nesta quinta-feira que o país deseja um acordo com os Estados Unidos de cooperação para produção de energia nuclear pacífica semelhante ao fechado pelos americanos com a Índia. O acordo com os indianos foi aprovado na quarta-feira pelo Senado americano.

"O Paquistão tem agora justificativa para exigir um acordo semelhante, já que não queremos discriminação", disse Gilani.

"O Paquistão se esforçará agora por um acordo de energia nuclear civil e eles terão de nos aceitar", afirmou.

O acordo indiano
De acordo com a Confederação da Indústria Indiana, o acordo deve gerar US$ 27 bilhões de investimentos nas entre 18 e 20 usinas nucleares da Índia nos próximos 15 anos.

O acordo dá à Índia acesso à tecnologia nuclear civil americana e combustivel. Em contrapartida, permite inspeções em suas instalações civis, mas não nas militares.

Críticos do acordo dizem que ele abre um precedente perigoso ao permitir que os indianos expandam sua indústria nuclear sem ter que assinar o acordo internacional de não-proliferação nuclear.

Os EUA tinham suspendido seu programa de colaboração nuclear com a Índia após o país ter testado sua primeira bomba atômica, construída de forma clandestina, em 1974.

Acordo improvável
Assim como a Índia, o Paquistão desenvolveu de forma clandestina o seu programa nuclear, testando armas atômicas pela primeira vez em 1998.

O país vinha se opondo ao fechamento do acordo entre indianos e americanos, dizendo que este poderia levar a uma nova corrida nuclear no sul da Ásia.

Paquistão e Índia, rivais históricos, já lutaram três guerras desde que conquistaram a independência em 1947.

Fontes do governo americano já disseram que é improvável que os EUA concedam aos paquistaneses acordo semelhante ao indiano por que o Paquistão falhou no passado ao impedir a não-proliferação nuclear.

O cientista considerado o 'pai' do programa nuclear paquistanês, Abdul Qadeer Khan, chocou seu país e a comunidade internacional ao admitir, em 2004, ter cedido segredos nucleares a países como o Irã e a Líbia.

A imprensa paquistanesa cogita a possibilidade de o país buscar uma parceria com a China para o desenvolvimento de energia nuclear pacífica.

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