O Paquistão atuará energicamente contra aspessoas envolvidas nos atentados de Mumbai e que se encontram em seu território, afirmou nesta quinta-feira o presidente paquistanês Asif Ali Zardari, depois de sua reunião com a secretária de Estado americana Condoleezza Rice.

"O governo não se limitará a ajudar na investigação, como também realizará ações firmes contra qualquer paquistanês cujo envolvimenton os ataques seja demonstrado", afirmou o chefe de Estado em um comunicado.

"O Paquistão está decidido a garantir que pessoa alguma utilize seu território para atos de terrorismo, sejam quais forem", acrescenta o texto.

Condoleezza Rice, durante sua visita relâmpago a Islamabad nesta quinta, atenuar a crise entre Paquistão e Índia, que exige do vizinho e eterno rival que entregue os responsáveis pelos atentados de Mumbai.

Um dia depois de uma breve viagem a Índia, a chefe da diplomacia dos Estados Unidos afirmou que o Paquistão está comprometido a cooperar com Nova Délhi na investigação sobre os ataques da semana passada, que deixaram 188 mortos em três dias.

Rice lembrou ainda que Islamabad, aliado chave de Washington na "guerra contra o terrorismo", também combate os extremistas da Al-Qaeda, que reconstituiu suas forças nas zonas tribais do noroeste paquistanês, que fazem fronteira com o Afeganistão.

A Índia acusa fundamentalistas que vivem no Paquistão de terem planejado e executado os atentados de Mumbai.

Nesta quinta-feira, o país colocou em estado de alerta os principais aeroportos do país depois de receber informações sobre eventuais atentados com o uso de aviões seqüestrados.

O alerta foi anunciado depois que o ministro da Defesa, A.K. Antony, ordenou às Forças Armadas que permaneçam atentas a ataques terroristas aéreos, segundo fontes ligadas ao governo.

Os grandes aeroportos do país, incluindo Nova Délhi, Bangalore, Mumbai e Calcutá, estão em alerta máximo.

A tensão aumentou nos últimos dias entre Índia e Paquistão, "irmãos-inimigos" dotados de armas nucleares, mas Rice tentou apaziguar a situação falando de combate "global" contra o terrorismo.

"Somos todos, e disse todos, parte do mesmo grupo de vítimas do terrorismo e devemos agir todos de forma global", afirmou ao presidente paquistanês, Asif Ali Zardari.

O Paquistão vive há 16 meses uma onda sem precedentes de atentados suicidas, executados por terroristas islâmicos ligados à Al-Qaeda, que deixaram mais de 1.500 mortos.

"Vi os líderes do Paquistão muito concentrados e comprometidos", disse à imprensa Rice após uma reunião com o presidente Zardari, o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani e comandantes militares.

A Índia pediu ao Paquistão que entregue 20 suspeitos de terrorismo. "As medidas do governo dependerão da resposta das autoridades paquistanesas", afirmou nesta quinta-feira em tom de ameaça o chefe da diplomacia indiana, Pranab Mujerjee.

Ao ser questionada sobre a possibilidade de uma resposta militar, Rice descartou: "Só ouvi palavras razoáveis e declarações responsáveis em Nova Délhi".

Paquistão e Índia se enfrentaram em três guerras desde 1947, a primeira delas logo depois da independência da Índia britânica, que provocou uma partilha sangrenta entre as zonas habitadas majoritariamente por muçulmanos (Paquistão) e por hindus (Índia).

A Índia denuncia sistematicamente o país vizinho toda vez que um atentado é executado em seu território, especialmente os poderosos serviços de inteligência paquistaneses, acusados de auxiliar os grupos extremistas muçulmanos que afirmam lutar pela independência da parte indiana da Caxemira e contra as "perseguições" das quais seria vítima, segundo os mesmos, a minoria muçulmana da Índia.

sl-gir/fp-lm/cn

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.