Paquistão prende suspeitos de participação nos atentados de Mumbai

O Paquistão prendeu um importante líder do grupo suspeito de estar por trás dos violentos ataques de Mumbai, respondendo às intensas pressões por parte dos Estados Unidos para entregar militantes islamitas.

AFP |

Zaki-ur-Rehman Lakhvi - que de acordo com informações publicadas na imprensa indiana foi denunciado pelo único terrorista que sobreviveu aos atentados - foi detido com outras 14 pessoas em uma conturbada região da Caxemira.

As prisões, realizadas na noite de domingo, aconteceram pouco depois de fortes declarações da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmando que o Paquistão havia sido usado por "agentes não-governamentais" para organizar os atentados contra a capital financeira da Índia.

Os 15 homens detidos na Caxemira paquistanesa estavam em um campo de refugiados coordenado por uma instituição de caridade ligada ao Lashkar-e-Taiba - grupo que atualmente ocupa lugar de destaque nas investigações de inteligência sobre os ataques de Mumbai.

"As forças de segurança atacaram um campo de refugiados mantido pela Jamaat-ud-Dawa," afirmou uma fonte oficial.

O objetivo da operação era obter informações "a partir de alegações da Índia de que o LeT (Lashkar-e-Taiba) estava usando o território paquistanês para treinamento", acrescentou o oficial.

A Jamaat-ud-Dawa, por sua vez, é dirigida por Hafiz Said, que fundou o Lashkar-e-Taiba em 1989. Ele saiu do grupo quando este foi proibido pelas autoridades do Paquistão, depois que a Índia acusou seus militantes de terem executado o ataque ao Parlamento indiano em Nova Délhi em 2001.

O Lashkar-e-Taiba ("Exército dos Devotos") foi criado para combater o governo indiano na Caxemira, e já foram descobertas ligações suas com a agência de inteligência paquistanesa e com a Al-Qaeda.

Said condenou as prisões, afirmando que o governo do Paquistão demonstrava "fraqueza por tomar as organizações da Caxemira como alvo".

"A Índia quer acabar com o movimento de independência da Caxemira usando os ataques de Mumbai como pretexto", indicou em um comunicado.

A Jamaat-ud-Dawa é vista por muitos como braço político do Lashkar-e-Taiba, que figura na lista americana de organizações terroristas e é proibido no Reino Unido, assim como em vários outros países ocidentais.

Os atentados de Mumbai deixaram 172 mortos, incluindo nove terroristas, e colaboraram para deixar ainda mais tensa a já conturbada relação entre Índia e Paquistão, duas potências nucleares, que já se enfrentaram em três guerras desde a independência da Grã-Bretanha, em 1947.

A Índia afirma que os 10 terroristas que participaram dos ataques vieram do Paquistão, e teria entregue a Islamabad uma lista com 20 suspeitos de terrorismo, exigindo sua detenção e extradição.

A polícia paquistanesa prendeu os 15 suspeitos perto da capital da Caxemira paquistanesa, Muzaffarabad, onde o Laskhar-e-Taiba é bastante ativo.

No domingo, Condoleezza - que visitou Índia e Paquistão depois dos ataques - disse que Islamabad precisava agir rapidamente para ajudar a Índia a evitar novos atentados.

"Acredito que o Paquistão tem uma responsabilidade para corresponder", afirmou em uma entrevista à televisão.

Mas tanto a secretária americana quanto o ministro das Relações Exteriores do Paquistão negaram que um prazo de 48 horas tenha sido estipulado pelos Estados Unidos e pela Índia para que os suspeitos fossem capturados e entregues.

burs-bgs/ap/fp

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