Paquistão pede que EUA não condicionem ajuda econômica

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 13 abr (EFE).- O Governo paquistanês saudou hoje o aumento da ajuda econômica para fins civis anunciado recentemente pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mas pediu para que não haja condições fixas para sua entrega, ao mesmo tempo em que reafirmou seu compromisso na luta contra o terrorismo.

O pedido chegou durante a visita realizada hoje ao país asiático pelo senador americano John Kerry, que incentiva a aprovação de um pacote de US$ 1,5 bilhão anuais durante os próximos cinco anos para o Governo paquistanês, que está condicionado ao esforço do Paquistão na luta antiterrorista.

"Ainda não há nada formal, a ideia é ajudar o Paquistão. É cedo para falar de condições", disse o ministro de Assuntos Exteriores paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, em entrevista coletiva concedida em Islamabad junto a Kerry.

Horas antes, o primeiro-ministro do Paquistão, Yousef Raza Guilani, disse ao senador que "os EUA não deveriam associar condições ao pacote de assistência que será apresentado ao Congresso, pois isto não gerará os bons resultados desejados no Paquistão", segundo um comunicado divulgado por seu gabinete.

Guilani falou também que a associação estratégica entre os dois países deve "ser baseada no respeito e na confiança mútua" e que ambos precisam "colaborar para reduzir o déficit de confiança que danificou" suas relações.

Nos últimos dias, o Governo de Islamabad se mostrou insatisfeito por declarações de dirigentes americanos segundo as quais os EUA não darão ao Paquistão nenhum "cheque em branco".

"Não são condições, mas medidas de efetividade", explicou Kerry, para reiterar que o compromisso de seu país com o Paquistão é "a longo prazo" e não está unicamente orientado para o sucesso na luta contra a insurgência talibã e a rede terrorista Al Qaeda.

"É muito importante trabalhar junto e melhorar a vida dos paquistaneses. Estão sofrendo com altos níveis de inflação, falta de eletricidade. Por isso, é preciso aprovar este plano e fazer o Paquistão sentir que se encontra no centro" da política dos EUA, ressaltou.

Kerry, que é presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, enfatizou que os EUA estão "comprometidos" com a democracia no Paquistão e apoiam firmemente a mudança de "uma relação que antes se baseava em um só indivíduo", em referência ao general Pervez Musharraf, que conduziu o país por quase nove anos.

Já o ministro Qureshi, que durante a visita ao Paquistão do enviado especial dos EUA à região, Richard Holbrooke, e do chefe do Estado-Maior Conjunto, Mike Mullen, demonstrou estar em certo desacordo com as opiniões americanas, afirmou hoje que as discussões foram "frutíferas".

"Se há lacunas, elas serão resolvidas falando um com o outro", afirmou o chanceler paquistanês.

Nem Qureshi nem Kerry entraram em detalhes sobre os prazos e objetivos concretos da ajuda econômica dos EUA ao Paquistão, que ainda terá que esperar pela aprovação do Congresso americano.

"Como empregar esse dinheiro, em que projetos, continuam sendo as grandes perguntas", declarou à Agência Efe uma fonte diplomática americana sob condição de anonimato.

A fonte expôs que a "corrupção" da classe dirigente paquistanesa continua sendo um "motivo de preocupação".

"Se um terço da ajuda ao Governo civil chegar a seu destinatário, isso pode ser considerado como uma conquista, mas com as estruturas atuais é complicado", admitiu.

Na mesma linha, uma fonte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Islamabad questionou a possibilidade de a ajuda que for entregue pelos EUA "cair em boas mãos".

A mesma fonte destacou que "não há nenhum plano claro para conduzi-la" rumo às zonas mais voláteis como o cinturão tribal limítrofe com o Afeganistão ou a Província da Fronteira do Noroeste.

Entretanto, a fonte da Otan admite que os EUA "têm que começar a destinar ajuda para fins não militares", pois a pobreza e a falta de educação no Paquistão são um "prato cheio" para os grupos rebeldes.

Kerry também se reuniu hoje com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, e o chefe dos serviços secretos do país, Ahmed Shuja Pasha, e deve viajar amanhã para a cidade de Peshawar antes de deixar o Paquistão. EFE igb/bba

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