ISLAMABAD - O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, assinou o acordo de paz que as autoridades regionais haviam negociado com os talebans do vale de Swat, no norte do país, estabelecendo a aplicação da sharia (lei islâmica) na região, informou hoje a imprensa do país.

O chefe de Estado ratificou o pacto ontem à noite, pouco após o Parlamento paquistanês aprovar uma resolução que apoiava a entrada em vigor do acordo, segundo nota divulgada pelo porta-voz presidencial Farhatullah Babar.

O governo da Província da Fronteira do Noroeste (NWFP) assinara, em fevereiro, um pacto com o grupo Tehreek-e-Nafaz-e-Shariat Muhammadi (TNSM, Movimento para o Reforço da Lei Islâmica) para aplicar um sistema judiciário baseado na sharia na região de Malakand, que inclui o vale de Swat, sob a condição de conseguir a paz no local.

O presidente Zardari havia evitado até agora ratificar um pacto que está sendo duramente criticado tanto dentro do Paquistão quanto por parte da comunidade internacional.

O primeiro-ministro, Yousef Raza Guilani, afirmou há poucos dias que era necessário desenvolver uma estratégia nacional de consenso, motivo pelo qual o acordo foi levado ontem ao Parlamento.

Zardari amparou-se na resolução parlamentar, apoiada por todos os partidos políticos -à exceção de uma legenda minoritária-, para assinar o acordo, que entrou definitivamente em vigor.

De fato, algumas cortes islâmicas já começaram a funcionar hoje, segundo a imprensa paquistanesa.

O líder do TNSM, Sufi Mohammed, declarou que os parlamentares demonstraram ser "amigos do Islã" e conclamou os talebans a deporem as armas e desempenharem um papel pacífico que permita a aplicação da nova legislação, segundo informou a emissora "Geo TV".

Taleban comemora

Os talebans também comemoraram a aprovação do pacto.

"O Parlamento evitou um desastre votando a favor da resolução e forçando ao presidente a assinar" o documento, disse o porta-voz do Taleban em Swat, Muslim Khan, segundo a emissora de TV "Dawn".

No entanto, o acordo também tem detratores: a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão criticou hoje duramente a decisão e disse que o dia de ontem "será recordado pela humilhante submissão do Estado a uma força 'cega'".

Em comunicado, o órgão denunciou "as concessões" de um "governo desesperado" pelas "circunstâncias" e censurou a falta de "coragem" dos deputados para expressar opiniões divergentes, enquanto expôs que ninguém se preocupou com as consequências que o acordo terá sobre mulheres, crianças e minorias.

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