Paquistão nega ter sofrido baixas em tiroteio na fronteira da Caxemira

Islamabad, 29 jul (EFE).- O Exército do Paquistão negou hoje ter sofrido baixas no enfrentamento com as tropas da Índia nesta segunda-feira na fronteira da Caxemira, que, segundo fontes indianas, causou a morte de um de seus soldados e quatro na lado paquistanês.

EFE |

"Nenhum soldado paquistanês morreu no tiroteio. Tivemos uma reunião (hoje) com a parte indiana para informá-la do que aconteceu e manter a confiança intacta, porque isso não deve se repetir", disse à Agência Efe o porta-voz do Exército paquistanês, general Athar Abbas.

O tiroteio começou ontem e continuou pela madrugada de hoje na "linha de controle" que separa a Caxemira e na qual está em vigor um cessar-fogo, embora os dois Exércitos tenham se acusado mutuamente de ter iniciado os disparos.

Segundo Abbas, as tropas indianas tentaram tomar controle de um posto de controle avançado no território em disputa, apesar das advertências dos soldados paquistaneses.

"Nós avisamos a eles para que continuem avançando ao longo da linha de controle, mas foi inútil", disse.

O tiroteio aconteceu no setor de Nowgam, no distrito de Kupwara, no norte da Caxemira indiana, e se prolongou por 13 horas.

A versão paquistanesa contradiz a informação divulgada ontem por fontes oficiais indianas, que afirmaram que quatro soldados paquistaneses e um indiano morreram no tiroteio, e responsabilizando o Exército paquistanês.

"Não pudemos vê-los até entrarem em nosso território e aconteceu a disputa. Não posso dizer com clareza se houve ou não uma discussão prévia aos disparos", disse à Efe o coronel Anil Mathir, porta-voz do Exército da Índia.

Índia e Paquistão disputam a Caxemira desde a independência e a partilha dos dois países, em 1947, e já entraram em guerra duas vezes pelo controle do território.

Desde 1971, a região está dividida por uma "linha de controle" regida por um cessar-fogo desde 2003, estipulado após o conflito registrado em Kargil quatro anos antes por causa de uma incursão paquistanesa.

Nos últimos meses, têm acontecido várias violações do cessar-fogo com registros de mortes em alguns dos enfrentamentos.

O penúltimo episódio aconteceu no sábado, quando as duas partes se acusaram mutuamente de terem iniciado um tiroteio além da fronteira, mas a de ontem à noite foi a primeira incursão de soldados paquistaneses denunciada pela Índia desde o cessar-fogo.

A tensão crescente na fronteira da Caxemira levou os ministros de Assuntos Exteriores dos dois países, reunidos em maio em Islamabad, a se comprometerem a respeitar o cessar-fogo.

"O Paquistão deve respeitar o cessar-fogo estipulado entre as duas partes e aderir ao mecanismo existente para falar sobre violações da fronteira", disse hoje em comunicado o ministro da Defesa da Índia, A.K. Antony. EFE igb/wr/rr

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