Islamabad, 15 dez (EFE) - O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gillani, afirmou hoje que o Governo se nega a impedir os trabalhos humanitários da organização beneficente ilegalizada Jamaat-ud-Dawa (JuD), que supostamente serve de cobertura ao grupo que a Índia acusa dos ataques terroristas de Mumbai.

Segundo a agência estatal "APP", Gillani explicou em um comparecimento parlamentar que "milhares" de pessoas se beneficiam da ação do JuD, por isso o Governo supervisionará agora o trabalho humanitário do organismo, que será feito por organizações com outro nome.

O ministro de Exteriores, Shah Mehmood Qureshi, já tinha descartado em Paris que as escolas corânicas e a infra-estrutura educativa criada pelo JuD fosse ser desmantelada.

No entanto, o Governo fechou as sedes do JuD em todo o país e deteve dezenas de seus ativistas.

O líder da organização, Hafiz Mohammed Said, também fundador do Lashkar-e-Toiba (LeT), ao qual a Índia acusa dos ataques, foi posto sob prisão domiciliar na cidade de Lahore, leste do país.

O mesmo Gillani lembrou em seu comparecimento que o Governo "congelou os ativos bancários" do JuD após a resolução do Conselho de Segurança da ONU, que incluiu a organização na lista negra de suspeitos vinculados com o terrorismo internacional.

A Índia exigiu do Paquistão uma ação enérgica contra os grupos fundamentalistas que atuam em seu território, além da entrega de dezenas de supostos terroristas, algo ao que Islamabad se negou.

Nova Délhi assegurou que os terroristas que protagonizaram os ataques no sul de Mumbai no final de novembro são paquistaneses, mas o Governo de Gillani pediu "provas" disso.

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