Paquistão, na mira, pede a Nova Délhi provas de envolvimento

O Paquistão cada vez mais na mira da eterna rival, Índia, depois dos ataques terroristas de Mumbai, comprometeu-se neste sábado a punir severamente qualquer grupo islamita presente em seu território, se Nova Délhi apresentar provas de envolvimento desses.

AFP |

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, advertiu contra qualquer "reação exagerada" por parte da Índia e prometeu uma ação "mais estrita" por parte de Islamabad se comprovado qualquer tipo de colaboração paquistanesa.

Nova Délhi assegura que vários dos autores dos ataques coordenados na capital econômica da Índia, que causaram pelo menos 195 mortos, proviriam do Paquistão, país ao qual Nova Délhi costuma acusar de apoiar grupos islamitas armados que cometem atentados em seu território.

"As autoridades indianas não acusaram o governo do Paquistão. Suspeitam, digo suspeitam, de grupos que poderiam estar presentes no Paquistão", enfatizou o ministro paquistanês das Relações Exteriores, Shah Mehmood Qureshi.

"Temos as mãos limpas. Nada temos que ocultar e não estamos na defensiva", insistiu.

Os dois países, que são potências nucleares e se enfrentaram em três guerras depois de sua criação como Estados independentes, em 1947, estão comprometidos desde 2004 num frágil processo de paz.

Previamente às declarações deste sábado as autoridades paquistanesas haviam revertido a decisão de enviar à Índia o chefe do ISI (Inter-Services Intelligence), o general Ahmed Shuja Pasha para "compartilhar informações" e "ajudar nas investigações".

A decisão foi tomada pelo primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, que encurtou uma visita a Lahore, no leste do Paquistão, e voltou a Islamabad para "consultas urgentes" com o exército.

O ISI, é dirigido por militares, embora teoricamente esteja sob a autoridade do primeiro-ministro.

Índia e Paquistão acusam periodicamente seus respectivos serviços de inteligência de tentativas de desestabilização mútua.

O chefe de governo paquistanês aproveitou para recordar que o Paquistão vem sendo alvo de uma onda de atentados islamitas vinculados à rede Al-Qaeda que, nos últimos 16 meses, custou a vida a 1.500 pessoas e que também é "vítima" do terrorismo.

Os ataques de Mumbai foram reivindicados por um grupo islamita desconhecido até agora, os "Mujahedines do Deccan", nome de um colina do centro-sul da Índia.

Mas, rapidamente, os meios de comunicação indianos evocaram a pista do Lashkar-e-Taiba, um grupo fundamentalista paquistanês, que negou a participação e condenou os ataques.

No final de 2001, Índia e Paquistão estiveram à beira da guerra quando Nova Délhi acusou Islamabad de instigar um ataque do citado grupo islamita contra seu Parlamento, uma ação que deixou 10 mortos.

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