Paquistão liberta americano ligado à CIA preso por dois homicídios

Famílias de homens mortos teriam recebido dinheiro para perdoar acusado; Estados Unidos negam ter feito pagamento

BBC Brasil |

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Um tribunal paquistanês libertou nesta quarta-feira um americano que matou duas pessoas no Paquistão quando trabalhava no país a serviço da CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos). Raymond Davis, de 36 anos, atirou contra dois homens na cidade de Lahore (leste do país), em janeiro, após ter supostamente sofrido uma tentativa de assalto.

Davis foi inocentado após 18 parentes dos homens mortos o terem perdoado no Tribunal. Eles disseram que receberam uma indenização em dinheiro para perdoá-lo, mas o governo americano negou ter feito qualquer pagamento.

AFP
Manifestantes protestam contra libertação de americano em Lahore, no Paquistão

De acordo com as leis paquistanesas, parentes de uma vítima de assassinato podem perdoar o assassino. Cerca de 200 pessoas protestaram em Lahore contra a perdão concedido a Davis. Também houve outros protestos em cidades menores.

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Segundo o repórter da BBC em Islamabad M. Ilyas Khan, se foi de fato feito um pagamento aos familiares das vítimas, não se sabe qual foi a quantia paga e é possível que essa cifra nunca seja divulgada. As famílias das vítimas estavam sob forte pressão de partidos islâmicos conservadores para que não aceitassem o dinheiro.

O acordo para obter a sua libertação de Davis - que já teria deixado o país - põe fim a um impasse diplomático entre o Paquistão e os Estados Unidos.

O americano foi preso imediatamente após ter matado os dois homens e desde o início alegou que cometeu os assassinatos em legítima defesa, quando eles tentavam assaltá-lo a mão armada. Um terceiro homem foi atropelado por um veículo que veio em auxílio do americano, mas até agora não foram registradas queixas criminais em relação ao caso.

A revolta da opinião pública paquistanesa se intensificou após autoridades dos Estados Unidos terem informado que Davis estava prestando serviços para a agência CIA na época em que os paquistaneses foram mortos.

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