Paquistão lembra Benazir um ano depois da morte e rejeita guerra com a Índia

Mais de 100.000 paquistaneses se reuniram neste sábado diante do túmulo da ex-primeira-primera ministra Benazir Bhutto para prestar homenagem à carismática líder, exatamente um ano depois de seu assassinato, data que as autoridades do país aproveitaram ainda para afirmar que não desejam uma guerra com a Índia.

AFP |

As pessoas seguiram, em uma verdadeira maré humana, em direção ao cemitério em que se encontra o mausoléu da família Bhutto, na cidade de Garhi Juda Bajsh, sul do país.

Como o número de pessoas não parava de aumentar, as autoridades se viram obrigadas a adiar o início da cerimônia, comandada pelo viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, presidente do Paquistão desde setembro, e seu filho, Bilawal Bhutto Zardari, que atualmente lideram o Partido do Povo Paquistanês (PPP).

O atual primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani, também discursou para a multidão.

A homenagem acabou com uma oração no horário exato em que o cortejo de Benazir Bhutto sofreu um atentado suicida em 27 de dezembro de 2007 em Rawalpindi.

Bhutto morreu aos 54 anos, quando fazia campanha para as eleições legislativas, dois meses depois de retornar do exílio.

As autoridades aproveitaram a ocasião para reafirmar, depois de terem reforçado militarmente a fronteira, que não desejam uma nova guerra com a Índia, ao mesmo tempo que os Estados Unidos pressionam para um retorno à calma entre as duas potências nucleares.

A Casa Branca se esforça diplomaticamente tanto em Islamabad como em Nova Délhi para acabar com as tensões provocadas pelos atentados de 26 de novembro em Mumbai, atribuídos pela Índia a grupos rebeldes baseados no território do histórico rival.

"Perdemos nossas pessoas, não falamos de guerra, não falamos de vingança", disse o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, em um discurso por ocasião do primeiro aniversário do assassinato de sua esposa, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.

"O diálogo é nosso maior arsenal", acrescentou, antes de insistir que a negociação é "a solução para o problema da região".

O presidente do Paquistão declarou ainda que seu país vai agir para controlar os grupos extremistas, mas exigiu que a Índia não tente determinar a Islamabad como fazer isto.

"Nós o faremos porque precisamos fazê-lo, não porque vocês querem", disse Zardari em Naudero, sul do país, na residência da falecida esposa Benazir Bhutto.

"Deixem para nós a liberdade da democracia, deixem para nós a liberdade de escolha", acrescentou.

A Índia responsabilizou pelos atentados de novembro em Mumbai o grupo paquistanês Lashkar-e-Taiba (LeT) e acusou Islamabad de não fazer o suficiente para controlar os grupos extremistas.

"Temos personagens não estatais. Sim, estão nos impondo sua agenda", admitiu Zardari.

No entanto, acrescentou, "nós o solucionaremos, nós o corrigiremos".

As relações entre Índia e Paquistão, que já se enfrentaram em três guerras desde a independência da Grã-Bretaña em 1947, ficaram ainda piores nos últimos dias.

Oficiais paquistaneses revelaram na sexta-feira que o Exército transferiu tropas das áreas tribais próximas do Afeganistão, onde combatem os talibãs e a Al-Qaeda, para a fronteira leste com a Índia como medida "de segurança mínima".

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, reuniu os comandantes militares para examinar a questão e aconselhou os indianos a não viajar para o Paquistão.

O primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, reiterou neste sábado que seu país não deseja uma guerra com a Índia, mas que responderá em caso de provocação, em um clima de tensão após os atentados de Mumbai.

Gilani também fez a afirmação durante um ato em memória da ex-premier Benazir Bhutto.

"Não queremos agressões com nossos vizinhos. Queremos relações amistosas", disse Gilani.

"Não seremos os primeiros a empreender nenhum tipo de aventura infeliz, mas somos capazes de defender nosso querido país".

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