Paquistão investiga suposta luta por sucessão do líder taleban morto

Informes sobre um tiroteio entre dois altos líderes talebans numa região remota perto da fronteira com o Afeganistão levaram as autoridades paquistanesas a investigar neste sábado uma possível disputa interna para suceder Baitullah Mehsud, que, segundo a inteligência paquistanesa, foi morto em um bombardeio esta semana.

AFP |

"Recebemos relatórios de que houve uma luta entre Wali-ur Rehman e Hakimullah. Dizem que um deles está morto. Não posso revelar o nome, ainda estamos verificando a informação", declarou o ministro do Interior Rehman Malik Malik falando ao canal de TV Geo.

Os dois homens teriam se desentendido numa reunião do comando taleban na região tribal do Wazaristão do Sul para escolher o provável sucessor de Baitullah Mehsud.

Um deles, Hakimullah Mehsud, é o vice de Mehsud e porta-voz do senhor da guerra. Já Wali-ur Rehman é o principal comandante do movimento de Mehsud conhecido como Movimento de Talebans do Paquistão (TTP).

O governo do Paquistão manteve neste sábado uma prudente atitude de satisfação em relação à suposta morte do chefe taleban, apesar das dúvidas que ainda pairam sobre essa notícia que implica um duro golpe contra os rebeldes.

A inteligência paquistanesa afirma que ele está morto, mas membros dos talebans insistem que a se trata de uma mentira, embora não tenham oferecido provas.

"Temos sólidas provas da morte de Baitullah Mehsud, mas a situação vai ser esclarecida nas próximas 48 horas", insistiu Malik.

Segundo autoridades paquistanesas e habitantes do Waziristão do Sul (noroeste), reduto de Baitullah Mehsud, este último teria sido morto na quarta-feira em um ataque de avião sem piloto americano que também matou sua segunda mulher.

A morte de Baïtullah Mehsud seria uma vitória importante nos combates realizados por Islamabad e seu aliado norte-americano contra os rebeldes do noroeste do país.

Mehsud, de 35 anos, foi educado em uma escola religiosa de Miranshá, principal cidade do Waziristão do Sul; viajou para o Afeganistão na década de noventa para lutar junto aos talebans na guerra civil.

Até sua volta ao Paquistão, os talebans do Waziristão do Sul eram dirigidos por outro chefe da tribo, Abdullha Mehsud, que morreu em julho de 2007.

Baitullah assumiu, então, o lugar dele e criou o Movimento de Talebans do Paquistão (Tehreek-e-Taliban Pakistan, TPP), acusado por Washington e Islamabad de estar por trás da onda de atentados suicidas que deixou mais de dois mil mortos no Paquistão, desde junho de 2007. Entre as vítimas destes ataques, está a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.

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